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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

ÚLTIMA PARADA (+18) (CONTOS DA MEIA-NOITE)


Este é um relato proibido.

Muitas pessoas impediram a divulgação dessa história para não causar tumulto, mas eu não poderia deixar de passar para frente! Não seria justo! O povo deve saber! Assumo as consequências.

Estes fatos ocorreram na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Jorge Vasconcelos era um rapaz de 28 anos, com quase 2 metros de altura, com tipo físico de impor medo, um homem com um porte 4x3.

Muitas mulheres que passaram por sua vida o classificavam como “Homão da poha”. 

Ele gostava disso.

Era segurança de uma loja de roupas no Shopping Santa Cruz, na Cidade do Rio de Janeiro.

Apesar do jeitão de durão, Jorge era muito gentil com a maioria das pessoas. Seu humor era alterado somente quando provocado. E quando digo provocado, quero dizer que a pessoa tem que ser um cuzão.

Ele tinha uma rotina muito rigorosa. Era extremamente metódico. Trabalhava de domingo a domingo, com direito a uma folga semanal. Seu turno era das 15 às 23 horas.

Contudo, Jorge nunca conseguia pegar o ônibus para casa antes das 23h30min, pois sempre ajudava a fechar a loja e acompanhava os seus colegas, visto que a loja possuía apenas funcionárias e ele se preocupava com as meninas saindo tarde da noite do shopping.

Ele morava no bairro de Senador Câmara, próximo a Escola Municipal Dias Martins. Pegava todos os dias o ônibus da linha 570P - Itaguaí x Marechal Hermes, descia no ponto em frente ao supermercado Prezunic, andava algumas quadras e chegava em casa as 2 horas da madrugada.

O bom do horário era que o buzão era vazio. A maioria das pessoas descia até a Rodoviária de Campo Grande. Jorge partia até Senador Câmara acompanhando, normalmente, com duas meninas, que trabalhavam no shopping, mas em uma loja concorrente.

As meninas eram lindas, simpáticas e divertidas, com um sorriso que iluminava o ônibus.

Jorge sempre foi simpático e respeitoso, mas dentro do seu imaginário somente ele tinha acesso. Todos os dias ele ficava imaginando possuir as duas meninas.

Sim, as duas.

Ele se orgulhava de ser abençoado pela natureza com um membro de dar inveja.

No começo, como não conhecia as meninas, simplesmente as admirava à distância, mas com o tempo e a convivência diária, Jorge se arriscou a falar uma gracinha, tentando se enturmar. Funcionou.

Papo vai, papo vem e os três pareciam velhos conhecidos, o que dava a oportunidade de Jorge conhece-las melhor, além de tirar proveito para olhar mais de perto o decote da blusa, mostrando os seios perfeitos, a pele macia e às vezes a borda do mamilo.

Os olhares de Jorge não se limitavam aos seios e sorriso, também gostava de conferir as pernas e aproveitar que as meninas usavam um shortinho bem curto para admirar as suas coxas morenas.

Uma das meninas percebeu e, após ver o volume entre as pernas do rapaz, resolver corresponder, mostrando mais um pouco dos seus dotes, provocando o rapaz ainda mais.

Permaneceram neste jogo por bastante tempo. Na verdade era justamente isso que a menina queria, provocar o rapaz. Se ela ia usufruir do membro do rapaz, só a oportunidade diria.

Ele? Estava louco. Queria adentrar o membro viril naquela menina, mas ia com cuidado, se ela desse um sinal que também queria, ele não perderia tempo, seria no ponto do ônibus mesmo, em qualquer banco de praça.

Até imaginava. Os dois trocando beijos ardentes e lascivos. Jogando a menina em cima da mesa de damas que havia na praça perto do ponto de ônibus, abrindo o zíper do shortinho, ao mesmo tempo que colocava o seu membro de 25 cm para fora. Acariciaria os seus lábios e depois introduziria o membro, fazendo a menina gritar.

Só de imaginar a cena, Jorge já ficava rígido.

Certa noite, ele acabou se atrasando. Seu chefe fez uma reunião de última hora, em virtude do saldão que iriam realizar.

O buzão estava partindo, quando Jorge fez sinal. Por sorte, ou não, o motorista parou e deixou o rapaz subir. As meninas estavam lá, mas contidas, pois um moleque sentava no seu lugar.

Ele vestia um casaco grosso com capuz, todo fechado, apesar de não estar frio.

Jorge imaginou que seria algum bandidinho.

Ele escutava funk em um aparelho de som portátil, com um pendrive plugado.

Aparentemente o rapaz não estava fazendo nada, parecia estar dormindo, mas com o som alto.

- Boa noite meninas!

- Oi!

- O que houve?

- Ah, estou com dor de cabeça e esse som está me matando – falou a menina que Jorge mais conversava.

Tentando ser um lorde, Jorge cutucou o rapaz, que abriu os olhos marejados.

- Qual foi! – reclamou.

- Pode desligar o som!

- Vai a merda crioulo!

Jorge não gostou. Na frente das meninas.

Ele cutucou o rapaz novamente.

- Ahhhhh!

- Desliga o som, a menina está com dor de cabeça! – ele disse mais sério.

- Dor de cabeça! Eu resolvo fácil, só provar do meu leitinho que ela vai melhorar. Vou te lamber todinha até você gritar – disse o rapaz passando a mão nas coxas da menina mais próxima.

Jorge afastou a mão do rapaz.

- Oh negão! Não fode cara...

PLAFT!

Jorge meteu a mão grossa e calejada no rosto do rapaz, o derrubando no banco do lado direito. A caixa de som caiu, quebrando o pendrive.

Silêncio.

O rapaz não esboçou reação.

No rosto, a marca da mão de Jorge.

Ele pegou a caixa de som, levantou do banco, sem olhar no rosto do segurança. Puxou a cigarra e desceu no ponto em seguida.

Os dias aconteceram normalmente.

Jorge descia com as meninas em Senador Camará, cada um seguia seu caminho e sua rotina.

Dois dias após a discussão, o ponto estava próximo. Eram 04 pessoas para descer. Jorge já havia puxado a cigarra.

As meninas vinham atrás dele, enquanto uma pessoa esperava nas escadas do buzão para descer.

O ônibus parou, as portas se abriram, o povo começou a descer. Ainda conversavam.

- Até mais meninas! – Jorge disse, se virando par seguir seu caminho.

Alguém interrompe a sua passagem. A pessoa que estava a sua frente. Era magro, mais baixo que Jorge, praticamente sumia perto dele. Estava de cabeça baixa, mais ao trombar de frente com Jorge, levantou a cabeça, olhando no fundo dos seus olhos.

Era o moleque.

De repente, o rapaz enfia uma faca de cozinha de 25cm na altura do estômago de Jorge.

Este somente arregala os olhos. Sem grito. Sem reação.

O rapaz ainda força para mais fundo, mantendo os olhos em Jorge, vendo a dor percorrer a sua face.

- Geme porquinho! Gostou do meu membro de 25cm?! Agora morre! - falou o rapaz.

Ele retira a faca com um movimento rápido. Jorge cai na calçada.

As meninas ouviram o barulho, olharam para trás e o horror tomou conta de seus corpos.

Um rapaz, de casaco, com uma faca na mão direita, toda tomada de sangue, um vermelho vivo, e Jorge, no chão, sangrando.

O rapaz não mexeu um músculo.

As meninas? Correram, sem olhar para trás. Não fizeram nada.

Elas nunca mais pegaram o mesmo ônibus.

Também nunca mais viram o segurança simpático que brincava com elas na volta do trabalho.

Naquele dia, Dayanne, a menina mais chegada a Jorge, falou para a amiga que voltaria e daria para o segurança.

Duas semanas após o acontecido, Dayanne estava sendo "devorada" naquela mesa de damas. Ela gritava de prazer enquanto Mayccon lambia seu sexo, apertando os seus seios perfeitos.

Suzy, a amiga de Dayanne, estava com os dois, fazendo caricias com o membro de Mayccon.

Ela estava sentada em cima do casado de capuz do rapaz, cuja manga ainda possuía o sangue de Jorge.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

As Sombras de Zyrion (CONTOS DA MEIA-NOITE)

 


No canto mais esquecido da galáxia de Andarion, o planeta Zyrion orbitava um sol moribundo, banhado por uma luz pálida e fria. A superfície do planeta era um mar de desertos negros e montanhas afiadas, com tempestades elétricas constantes que riscavam o céu com raios lilases. Para a tripulação da nave Aurora II, Zyrion era um mistério que precisava ser resolvido.

— Estação central, estamos pousando em Zyrion. Condições precárias, mas controladas — informou a capitã Lira Kael, ajustando os controles enquanto a nave tremia.

A missão da Aurora II era clara: investigar a origem de um estranho sinal captado meses atrás, um som contínuo e profundo que ecoava como um canto distante. Alguns acreditavam ser um pedido de socorro, outros suspeitavam que poderia ser algo mais sombrio.

A nave aterrissou com dificuldade, levantando uma nuvem de poeira negra. Lira ajustou o capacete de seu traje e se levantou.

— Equipe Alpha, comigo. Equipe Beta, fiquem na nave. Se algo der errado, vocês sabem o que fazer.

Ao descerem, Lira e sua equipe — composta pelo engenheiro Darik, pela cientista Zara e pelo soldado Kellen — foram recebidos por um silêncio absoluto. Nem mesmo o som do vento cortava o ar. O deserto ao redor parecia morto, mas os monitores detectavam algo estranho: níveis altíssimos de energia concentrados nas montanhas ao norte.

— É de lá que o sinal está vindo — disse Zara, apontando para o horizonte.

A caminhada foi lenta e tensa. As rochas pareciam mais afiadas de perto, como lâminas esculpidas por alguma força alienígena. Conforme se aproximavam da origem do sinal, o som que antes era um eco distante começou a tomar forma. Era quase como uma melodia hipnotizante, cheia de notas graves que vibravam no peito de cada um.

— Isso não é natural — murmurou Kellen, segurando firme seu rifle de plasma.

No topo da montanha, encontraram algo que ninguém esperava: uma estrutura monumental, metade enterrada na rocha. Parecia um templo, com paredes feitas de um material reluzente e esculpido com símbolos que brilhavam em um tom prateado.

— Isso é tecnologia avançada — disse Darik, examinando os símbolos. — Mas não é de nenhuma civilização conhecida.

A entrada do templo estava aberta, como se os esperasse. Contra todas as advertências, Lira decidiu avançar.

Lá dentro, a gravidade parecia diferente, e o ar era opressivo. À medida que desciam os corredores do templo, o som ficava mais alto, quase insuportável. Finalmente, chegaram a uma sala ampla, iluminada por uma luz pulsante que emanava de um pedestal no centro.

No pedestal, havia um cristal negro, flutuando e girando lentamente. O som vinha dele.

— Cuidado! — alertou Zara. — Está emitindo uma energia incompreensível.

Mas antes que pudesse analisar melhor, Darik, atraído pela luz do cristal, tocou a superfície reluzente. Num instante, uma onda de energia foi liberada, derrubando todos no chão.

Quando Lira se levantou, viu Darik parado, mas algo nele estava errado. Seus olhos brilhavam num tom prateado, e sua voz tinha um tom metálico.

— Vocês não deveriam estar aqui — disse ele, ou o que quer que tivesse tomado conta de seu corpo.

Lira ergueu sua arma, mas hesitou.

— Quem é você?

O ser respondeu, sua voz ecoando pelas paredes do templo:

— Nós somos os Guardiões de Zyrion. Milênios atrás, selamos este cristal para proteger o universo. Ele não deve ser perturbado.

— Não queremos perturbar nada — respondeu Lira. — Estamos apenas investigando o sinal.

— O sinal era um aviso. Agora que vocês estão aqui, o equilíbrio está ameaçado.

A luz do cristal começou a pulsar mais rápido, e as paredes do templo tremiam.

— Precisamos sair daqui agora! — gritou Kellen.

Lira tentou convencer a entidade a deixá-los ir, mas Darik, ainda controlado, ergueu a mão e o templo começou a desmoronar.

— Fugi-los. E nunca mais voltem.

A equipe correu pelos corredores enquanto pedras caíam ao seu redor. Quando finalmente alcançaram o exterior, o templo inteiro afundou na montanha, deixando apenas silêncio e poeira no ar.

De volta à Aurora II, Lira olhou para o planeta pela janela enquanto decolavam. Eles haviam sobrevivido, mas algo dizia que Zyrion guardava segredos que não deveriam ser revelados.

E, no espaço, o som do cristal continuava a ecoar, como um aviso de que algo muito maior ainda estava por vir.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Fuga na Linha Vermelha (CONTOS DA MEIA-NOITE)

 


Era final de tarde no Rio de Janeiro, e o céu alaranjado começava a escurecer sobre a Linha Vermelha. O trânsito estava carregado, como sempre, mas ninguém prestava atenção no sedã preto que cruzava as pistas em alta velocidade, cortando os carros como uma navalha. No volante, Júlio Rocha segurava firme o couro desgastado do volante, o coração batendo mais rápido do que o motor do veículo.

— Dá pra ir mais rápido? — gritou Dudu, seu parceiro, olhando nervoso para o retrovisor.

Atrás deles, três viaturas da Polícia Civil seguiam em perseguição cerrada, as sirenes explodindo em um coro de caos. Júlio era conhecido nas ruas como “Rochinha”, um piloto de fuga que raramente era pego. Mas aquela noite era diferente. Alguém os havia dedurado, e o assalto ao carro-forte em São Cristóvão tinha dado muito errado.

— Fica quieto! — Júlio respondeu, desviando de um caminhão com um movimento arriscado. As rodas cantaram, quase jogando o carro para fora da pista.

Os policiais da frente, liderados pela inspetora Camila Dias, não tiravam os olhos do sedã. Ela segurava o rádio enquanto gritava instruções:

— Atenção, cerquem a saída 8! Eles vão tentar pegar a Dutra pra fugir!

Camila conhecia o perfil de Júlio Rocha. Ele era rápido, mas não pensava a longo prazo. Um criminoso com habilidade no volante, mas pouca estratégia.

Júlio viu as viaturas se aproximando. O combustível estava no fim, e o carro começava a falhar.

— A gente não vai conseguir! — Dudu berrou novamente, tirando uma pistola da cintura.

— Guarda essa arma! Se você atirar, a gente vira peneira! — gritou Júlio, com os olhos fixos na estrada. Ele tinha um plano: pegar o viaduto que cruzava o Complexo da Maré e sumir pelas vielas. Ninguém conseguiria segui-los por lá.

Mas Camila antecipou o movimento.

— Atenção! Eles vão cortar para a Maré. Dois carros seguem na retaguarda, o resto bloqueia as entradas!

As sirenes aumentaram, e Júlio percebeu que estava encurralado. Ele virou o volante bruscamente, saindo da pista principal e entrando em uma rua estreita e mal iluminada. As pessoas nos arredores correram para dentro de casa ao ouvir os pneus cantando. O sedã preto guinchava a cada curva fechada, raspando nos muros de tijolo.

— É agora ou nunca! — disse Júlio, vendo a última saída antes do carro morrer de vez.

Mas Camila foi mais rápida. O som de um helicóptero da polícia ecoou acima deles, e a luz do holofote iluminou o carro em fuga.

— Acabou, Rocha! — gritou Camila pelo rádio. — Sai do carro com as mãos para cima!

Júlio freou bruscamente, derrapando até o carro bater num poste. O impacto fez o airbag disparar, deixando tudo em silêncio por um instante. A porta do lado do passageiro abriu, e Dudu saiu correndo, só para ser derrubado por dois policiais que surgiram na esquina.

Júlio abriu a porta devagar, com as mãos erguidas. Ele estava cansado, sujo e sabia que não tinha mais para onde ir.

Camila se aproximou, arma em punho.

— Até que enfim te peguei, Rochinha.

Ele sorriu, com um corte no lábio.

— Não foi por falta de tentativa.

Camila fez um sinal para os outros agentes algemarem-no. Enquanto ele era levado, as luzes vermelhas e azuis das viaturas refletiam nas paredes da favela. Júlio olhou para o céu, que agora estava escuro, e pensou no quanto aquela liberdade momentânea havia valido a pena.

Naquela noite, as ruas ficaram mais silenciosas. A perseguição havia acabado, mas para a polícia e os criminosos, aquele era apenas mais um capítulo de uma guerra que nunca terminava.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Sob o Sol da Baixada (CONTOS DA MEIA-NOITE)

 


O calor da Baixada Fluminense parecia eterno, fazendo o ar pesar sobre os telhados de zinco e as ruas estreitas. No centro da tensão, um homem chamado Vicente Braga comandava tudo com punho de ferro e um sorriso que escondia segredos sombrios. Conhecido como Tio Braga, ele era o chefão da máfia carioca que mantinha a região sob seu domínio, controlando desde o tráfico de drogas até esquemas de lavagem de dinheiro que atravessavam fronteiras.

Naquela manhã, no galpão discreto em Belford Roxo, Braga se reunia com seus capangas. A conversa girava em torno de uma nova rota para transportar drogas pelo Porto de Itaguaí. Mas ele estava inquieto. Não era a rota o problema, mas a sensação crescente de que estava sendo observado.

Ele tinha razão. Do outro lado da cidade, num apartamento alugado em Nova Iguaçu, a agente federal Alice Mendonça ajustava seus fones de ouvido enquanto ouvia, pela escuta plantada dias antes, cada palavra dita no galpão.

— Temos que nos livrar dos curiosos — disse Braga, sua voz grave cortando o silêncio na sala de escuta. — Um rato dentro do sistema vale mais que dez fora dele.

Alice franziu a testa. Era uma referência clara a informantes infiltrados. Sua equipe vinha trabalhando há meses para desmantelar o império de Braga, mas ele sempre parecia estar um passo à frente.

Enquanto isso, no galpão, Braga chamou sua sombra mais confiável, Ronaldo, conhecido como Naldo.

— Quero que descubra quem está falando demais — ordenou. — Se alguém da polícia se aproximar de novo, a gente corta o problema pela raiz.

Naldo assentiu sem hesitar. Ele era a mão direita de Braga, tão leal quanto perigoso.

Na mesma noite, Alice e sua equipe decidiram intensificar a investigação. Um informante dentro do círculo de Braga havia indicado que haveria uma grande transação na próxima semana, envolvendo milhões em drogas e armas. Era a chance que precisavam para pegá-lo.

No entanto, Braga já suspeitava do informante. Ele marcou um encontro no estacionamento de um supermercado abandonado em Duque de Caxias, levando Naldo e mais dois homens. Alice, acompanhada de outro agente, vigiava de longe.

Braga era astuto. Ele chegou primeiro e ficou no carro, observando. Quando o informante apareceu, o confronto foi direto.

— Achei que pudesse confiar em você — disse Braga, sacando uma pistola.

O homem tentou argumentar, mas Naldo foi mais rápido. Em segundos, o corpo estava caído no chão, e Braga ordenou:

— Limpem isso. E rápido.

Alice assistia a tudo de longe, com o coração disparado. Sabia que interferir ali poderia comprometer a operação inteira.

Nos dias seguintes, a tensão aumentou. A polícia federal monitorava o galpão, o porto e os passos de Braga. Ele, por sua vez, aumentava a pressão sobre seus subordinados, criando uma atmosfera de paranoia.

Finalmente, na noite da transação, Alice e sua equipe organizaram um cerco. No porto, os homens de Braga descarregavam contêineres cheios de armas e drogas, sem saber que estavam sendo vigiados.

Quando os federais avançaram, um tiroteio intenso começou. Braga conseguiu escapar por uma saída lateral, mas Alice o seguiu. Ele tentou fugir num carro, mas foi cercado em uma estrada de terra.

— Acabou, Braga — disse Alice, apontando a arma para ele.

Ele levantou as mãos lentamente, sorrindo.

— Você acha que isso termina aqui, agente Mendonça? Eu sou só uma peça no tabuleiro.

Alice o algemou, sem responder. Sabia que ele falava a verdade. Mesmo assim, aquela era uma vitória.

Na Baixada Fluminense, o sol continuava queimando as ruas. Mas agora, uma sombra menor pairava sobre a região, enquanto o império de Braga começava a desmoronar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Segredos em Neon (CONTOS DA MEIA-NOITE)


 

As luzes de neon da boate Velvet Noir piscavam na madrugada, refletindo nas poças de chuva acumuladas nas ruas do centro da cidade. O detetive Lucas Andrade observava o movimento do lado de fora, apoiado em seu carro. Havia rumores de que a boate não era apenas um ponto de encontro noturno, mas também o epicentro de uma rede de chantagens envolvendo figuras poderosas da cidade.

O caso tinha começado com o desaparecimento de Bianca Keller, uma jovem dançarina da boate. A família insistia que havia algo errado, mas a gerência dizia que ela simplesmente tinha saído sem avisar. Lucas sabia que o buraco era mais fundo.

Quando entrou na boate, o cheiro de perfume doce e álcool o envolveu. As pessoas dançavam sob a luz baixa, enquanto garçons entregavam bebidas caras. Ele caminhou até o bar e mostrou sua insígnia ao barman.

— Quero falar com Mirela. Agora.

Mirela era a dona do Velvet Noir, conhecida tanto por sua beleza enigmática quanto por seus segredos bem guardados. Em poucos minutos, ela apareceu, usando um vestido de seda preta que parecia desafiar as leis da gravidade.

— Detetive Andrade — disse ela, com um sorriso controlado. — O que posso fazer por você?

— Bianca Keller. Onde ela está?

Mirela arqueou uma sobrancelha e gesticulou para que ele a seguisse até seu escritório. Lá, o ambiente era mais silencioso, com paredes cobertas de veludo e uma prateleira de bebidas finas. Ela sentou-se atrás de uma mesa de vidro e cruzou as pernas com elegância.

— Bianca não apareceu para trabalhar há dias. Não é incomum para garotas como ela.

Lucas lançou um olhar cético.

— Garotas como ela?

— Jovens, apaixonadas, vivendo em um mundo onde os sonhos colidem com a realidade. Bianca estava envolvida com alguém. Um cliente. Ele a fazia promessas que eu sabia que nunca seriam cumpridas.

Lucas inclinou-se para frente.

— Quem era o cliente?

Mirela hesitou por um momento antes de responder.

— Prefiro não dizer.

— Prefiro que você diga, ou vamos ter que fazer isso do jeito difícil — retrucou Lucas.

Finalmente, ela suspirou.

— O nome dele é Ricardo Fontes. Advogado renomado, mas com um gosto... peculiar.

Lucas reconheceu o nome imediatamente. Fontes era conhecido na cidade por sua influência, mas também pelos sussurros sobre seus segredos. Ele tinha sido visto na Velvet Noir algumas vezes, mas nada que pudesse ser usado como prova.

Saindo da boate, Lucas decidiu visitar Ricardo Fontes em sua casa, uma mansão cercada por altos muros. Usando um mandado obtido com esforço, ele conseguiu acesso.

Dentro da casa, encontrou uma sala escondida no porão, cheia de fotos e vídeos. Em um dos vídeos, Bianca aparecia. Ela não estava apenas dançando; parecia estar gravando algo contra sua vontade.

Antes que Lucas pudesse processar tudo, ouviu passos atrás de si. Virando-se, viu Ricardo Fontes com uma arma apontada para ele.

— Detetive Andrade — disse Fontes, com um sorriso frio. — Você não deveria ter vindo aqui.

Lucas levantou as mãos lentamente.

— Onde está Bianca?

Fontes riu, mas o som era vazio.

— Ela se tornou um problema. Assim como você agora.

O detetive aproveitou uma fração de segundo de distração para avançar, derrubando a arma de Fontes. Após uma luta breve, Lucas conseguiu algemá-lo.

— Você perdeu — disse Lucas, com um sorriso de triunfo.

— Você acha que me prender vai mudar algo? — retrucou Fontes. — Pessoas como eu sempre encontram uma saída.

Dias depois, o corpo de Bianca foi encontrado em um lago fora da cidade. Para Lucas, a vitória de capturar Fontes era amarga, mas ele sabia que precisava continuar lutando contra os segredos sujos da cidade. O neon da Velvet Noir ainda brilhava, mas agora, Lucas sabia o preço que cada luz escondia.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O Mistério da Casa na Colina (CONTO DA MEIA-NOITE)


No alto da colina mais distante da cidade, havia uma casa que ninguém ousava visitar. Era antiga, com janelas quebradas e paredes cobertas de hera. Contavam histórias de desaparecimentos, sombras nas janelas, e até mesmo vozes que sussurravam quando o vento passava por suas frestas. Para Mariana, estudante de jornalismo, essas histórias eram um convite irresistível.

Numa sexta-feira à noite, ela decidiu investigar. Com uma lanterna em mãos e seu caderno de anotações na mochila, caminhou em direção à colina. A lua cheia iluminava o caminho, mas cada galho que se movia no vento fazia seu coração acelerar. Mariana fingia coragem, mas sabia que estava sozinha — ou pelo menos queria acreditar nisso.

Ao chegar à porta da casa, encontrou-a entreaberta. A madeira rangeu sob seus pés enquanto ela entrava. A lanterna revelou móveis cobertos de poeira, quadros pendurados tortos e um relógio de parede parado exatamente às 23h14.

Explorando os cômodos, Mariana encontrou uma sala de estar com uma lareira cheia de cinzas antigas. No chão, havia marcas de arranhões como se algo pesado tivesse sido arrastado. Seguindo as marcas, chegou a um alçapão parcialmente escondido sob um tapete desgastado.

Ela hesitou. O silêncio da casa era tão intenso que podia ouvir seu próprio coração batendo. Com esforço, abriu o alçapão, revelando uma escada que descia para a escuridão.

— Nada como um bom clichê de filme de terror — sussurrou para si mesma, tentando aliviar a tensão.

Desceu os degraus com cuidado, e a lanterna revelou um porão úmido, com paredes de pedra. No centro, havia uma mesa de madeira. Sobre ela, uma velha máquina de escrever, cercada por páginas amareladas espalhadas. Mariana aproximou-se e viu que cada página estava preenchida com a mesma frase repetida: "Saia daqui antes que seja tarde."

O som de passos ecoou atrás dela. Mariana congelou.

— Quem está aí? — gritou, tentando soar confiante.

A lanterna iluminou uma figura. Era um homem idoso, com cabelos grisalhos e olhos profundos, que a olhava com uma mistura de pena e preocupação.

— Você não deveria estar aqui — disse ele, em um tom baixo, mas firme.

— Quem é você? E o que está acontecendo nesta casa?

Ele suspirou, mas antes que pudesse responder, a máquina de escrever começou a funcionar sozinha. As teclas batiam furiosamente, e a mensagem na página se repetia: "Corra antes que ele volte."

O homem agarrou o braço de Mariana.

— Não há tempo para explicações. Precisamos sair agora.

Mas antes que pudessem subir as escadas, um estrondo ecoou pela casa, e a porta do alçapão se fechou violentamente. As luzes da lanterna começaram a piscar, e um som gutural preencheu o ambiente.

Mariana olhou para o homem, aterrorizada.

— Quem é ele?

O homem respondeu apenas com um sussurro:

— O dono da casa.

Naquele momento, tudo se apagou.

Quando Mariana acordou, estava no meio da colina, com o caderno em mãos. As páginas estavam vazias, e a casa na colina parecia mais distante do que nunca. Ela olhou para trás, confusa e assustada. Será que tudo tinha sido um pesadelo? Ou apenas o começo de um mistério que jamais deveria ser desvendado?

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Nos Trilhos do Amor (CONTO DA MEIA-NOITE)

 


O relógio da estação marcava 17h45. Maria Clara estava ansiosa, mexendo no celular sem realmente prestar atenção na tela. O trem para o centro da cidade chegaria em cinco minutos, mas sua mente estava em outro lugar. Ou melhor, em outra pessoa.

Ela havia conhecido Davi duas semanas antes, quando ele acidentalmente esbarrou nela na saída da biblioteca. Ele estava tão envergonhado que mal conseguiu pedir desculpas, mas aquele momento desajeitado acabou levando a uma conversa sobre seus livros favoritos. Desde então, eles começaram a se encontrar regularmente, sempre na estação, onde conversavam e riam até o trem chegar.

Davi era diferente de qualquer pessoa que Maria Clara conhecia. Ele tinha um jeito descontraído, uma risada fácil e um brilho nos olhos que parecia iluminar qualquer lugar. Ela, por outro lado, era mais tímida, preferindo livros a festas, e sempre se sentia um pouco deslocada em meio à multidão.

Às 17h47, Davi apareceu na plataforma, ofegante e carregando uma pequena sacola. Ele sorriu ao vê-la e acenou de longe. Quando se aproximou, estendeu a sacola para Maria Clara.

— Para você.

Ela abriu a sacola e encontrou um pequeno livro com a capa desgastada. Era uma edição antiga de O Barbeiro de Sevilha

— Eu lembro que você disse que queria ler esse livro, mas não encontrava em lugar nenhum. Achei em um sebo hoje de manhã.

Maria Clara ficou sem palavras. Era um gesto tão simples, mas tão cheio de significado. Ela segurou o livro com cuidado, como se fosse um tesouro, e olhou para Davi.

— Obrigada. De verdade. Isso significa muito para mim.

Davi deu de ombros, mas o leve rubor em suas bochechas entregava que ele também estava emocionado.

— Eu só queria te ver sorrir.

O trem chegou, e a plataforma ficou mais agitada. As pessoas entravam e saíam apressadas, mas Maria Clara e Davi pareciam estar em um mundo à parte.

— Você vem? — perguntou ela, já perto da porta.

Davi hesitou por um segundo, então sorriu.

— Hoje não. Vou esperar o próximo. Quero que você aproveite o livro sem distrações.

Maria Clara entrou no trem, ainda segurando o presente. Antes de as portas se fecharem, Davi se inclinou e disse:

— Até amanhã.

Enquanto o trem partia, Maria Clara abriu o livro. Na primeira página, havia uma anotação: "Para Maria Clara, a pessoa que fez minha vida ganhar cor. Com carinho, Davi."

Ela sorriu. Não era um amor grandioso, digno de filmes ou romances épicos, mas era o início de algo especial. E isso era mais do que suficiente.