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sábado, 21 de dezembro de 2024

01: HELL’S KITCHEN



A grande relação

Upper East Side – O país parou hoje após a revelação bombástica da youtuber Jessica Sam. Para quem estava vivendo em uma bolha, há duas semanas este site divulgou, com EXCLUSIVIDADE, que o filho de Jessica, Adam Jr., não era filho do seu marido, o cantor country Adam McWill, mas sim do seu concunhado John Button.
Após a divulgação, Adam passou a atacar este site de forma massiva, através das redes sociais ele chegou a dizer que iria processar o site.
Contudo, tudo mudou quando divulgamos uma conversa de Jessica com John, onde ela afirma que este seria pai de seu filho.
Então o jogo virou e a internet passou a cobrar o casal, até que nesta manhã Jessica abriu o verbo.


- Humm – interjeitou, se recostando na cadeira.
O homem procura em suas anotações, feitas em um caderno pequeno com espiral de ferro na parte superior. Não achando o que queria, passa a procurar em uma pilha de papeis amassados.
- Achei! – berrou o homem após alguns minutos.


Em uma outra conversa com uma amiga muito próxima, Jessica encaminha uma carta que seria divulgada em sua rede social, onde revela que Adam Jr. é filho biológico de John, mas que tinha escondido tudo do marido (namorado na época), pois sua relação com ele era muito mais vantajosa, confiram a carta:



- Preciso inserir a carta antes de finalizar a publicação. - anotou o homem.


Vejam que na carta Jessica apenas confessa os fatos, mas alega que achava que o marido era o pai, mas só depois de muita pressão resolveu realizar o DNA. No entanto, na conversa ela confessa que falsificou um exame, quando o filho nasceu, pois estava ganhando muitos seguidores e isso seria uma bomba em sua carreira.



O homem tira novamente as mãos do teclado do seu computador para ler o papel amassado em sua mesa.
Seu nome é Jonathan Bruce Summers, ou John Summers, como era conhecido no mundo do jornalismo e entretenimento.
John era dono e único redator do popular site de notícias The Demolisher. Popular sim, mas odiado por muitos.
Engraçado como as pessoas gostam de ler mesmo quando depreciam as coisas. Para John, pouco importasse, desde que o dinheiro entrasse.
Ele já havia trabalhado em grandes jornais, inclusive no New York Post, mas foi acusado de divulgar fake news, contrariando a política da redação.
A versão de John era um pouco diferente, envolvendo inclusive perseguição política, mas nada disso impediu de perder o emprego e quase chegar a falência.
O nome Jonathan Bruce Summers ficou queimado. Hora de criar um nome novo. Na verdade, vários nomes.
O site foi criado quando John ainda estava na faculdade de jornalismo na Universidade Columbia como sendo a única forma de escrever o que queria, mas, após os eventos cataclísmico em sua vida, virou a sua profissão.
 A grande redação do jornal onde trabalhava deu lugar ao seu novo apartamento em Hell’s Kitchen, Manhattan, NYC, no 5º andar na 9th Ave com a W47th St, em cima de uma loja de utilidades domésticas e eletrônicos.
Terminando de escrever a sua nova bomba jornalística, John programa a postagem para as primeiras horas da manhã, bem como o compartilhamento nas redes sociais.
O texto foi assinado por Rose Brandt, um dos pseudônimos utilizados por John. Ele também utilizava: Michael Collins e James Cross.
John se espreguiça à cadeira, olhando o relógio do computador.
- Nossa, duas da manhã. Mais um dia virado. Preciso dormir urgentemente.
Ele olhou o sofá-cama ao lado da mesa do computador e depois para o caderno de anotações. Havia um “compromisso” marcado para às 4 horas da madrugada, perto do restaurante brasileiro a algumas quadras dali, um informante sobre imigrantes ilegais.
Seu estômago roncou só de pensar no restaurante. Olhou para a mesa, estava com duas caixas de comida tailandesa de dois dias e na geladeira deveria haver alguma coisa de três dias.
Respirou fundo, levantou da cadeira, deixando o computador ligado, sempre a espera de uma boa matéria, pegou o paletó tweed cinza, apesar da onda de calor que passava pela cidade, e saiu do apartamento em direção as ruas de New York.
Mesmo de madrugada, a cidade era movimentada. John adorava aquilo tudo. Passou por vários restaurantes e bares até chegar ao seu destino.
Tinha marcado com o seu informante no McDonald’s próximo ao restaurante onde ele trabalhava. Por motivos óbvios, seria chamar muita atenção se marcasse no restaurante ou nas imediações.
Além disso, o McDonald’s era 24 horas e cabia no orçamento de John.
Eduardo era o contato. Um brasileiro, naturalizado americano, mas que mantinha um sotaque paulista bem carregado. Filho de pai americano, o rapaz entrou na América para estudar e acabou fundando um pequeno comércio de doces.
Contudo, os padrões americanos são diferentes dos brasileiros. Para um americano, o doce brasileiro leva açúcar demais. Além disso, achar os ingredientes necessários para fazer um brigadeiro original era bem complicado, então Eduardo foi a falência.
Começou a trabalhar no restaurante brasileiro, aproveitando as origens. Assim, conseguia pagar a faculdade.
Então porque o desgraçado queria denunciar o restaurante? Dinheiro! John pagava os informantes, se a notícia fosse boa e rendesse bem (ou seja, nunca pagava).
O site tinha seus altos e baixos. Fofoca vendia bem. Notícia séria, aí era complicado.
Então a denúncia ia servir de quê? Recompensa, prestígio e divulgação do site.
Logo, a notícia não ia render muito, então Eduardo não ia receber muito, mas John receberia pela notícia e a recompensa (esta seria maior). Como pagaria o informante somente pelo faturamento da notícia, o lucro era certo.
Era esse o plano!
- Opa! Tudo bem? – cumprimentou Eduardo.
- O que você tem pra mim?
- Aqui. – ele entrou uma pasta com documentos.
John abriu, continha diversas cópias de recibos e alguns registros dos empregados.
- Só isso? – perguntou John
- Cara, foi o máximo que consegui essa semana. – o rapaz olhava para os lados, nervoso.
- Isso não é suficiente. Preciso de algo mais concreto! – falou seco.
- Tá, vou conseguir! – o rapaz estava apreensivo.
- Tem algo te preocupando?
- Nada. Só preocupado se alguém vai me ver aqui.
John notava que era algo a mais.
- Tá bom! – passou a falar – Vê se consegui algo mais e me liga. OK?
- OK, ok!
Eduardo não pensou duas vezes, levantou e saiu da lanchonete.
John fitou o rapaz, acompanhando para qual direção ele ia e quando passou tempo suficiente, levantou e passou a seguir os seus rastros.
Não andou muito. Eduardo estava perto do McCaffrey Playground, na W43rd St., e havia mais alguém com ele.
Será um assalto. – pensou John.
Não, não era um assalto.
Ao chegar um pouco mais perto, o jornalista viu algo que não esperava. Eduardo estava se encontrando com Mark River, um ex-colunista do New York Post, rival de John, antes e depois do Post.
Mark trabalhava num jornaleco e disputava algumas matérias com John, lembrando os velhos tempos.
De posse do seu celular, John tirou algumas fotos enquanto filmava o encontro, tudo isso com um sorriso no rosto.
- Ex-colunista do New York Post é visto com imigrante de restaurante? – falou para si mesmo após desligar a gravação – Não! Talvez: imigrante ilegal? Humm, tenho que pensar no título desta matéria! – ele riu.
Alguma coisa esse encontro renderia, nem que fosse contra o próprio informante.
Chegou em casa com o raiar do sol.
Estava ansioso para saber como a sua matéria sobre a Jessica Sam seria recebida, então ligou a televisão e foi preparar um café.
O sono foi embora.
Estava perdido em eu pensamentos, quando algo na TV o chamou atenção. Na verdade, foi um nome: KAREN SUMMERS.
- O corpo da jovem Karen Summers foi encontrado na manhã deste sábado no Central Park – dizia o repórter – A polícia ainda não nos deu maiores informações, mas tudo leva a crer que a jornalista foi assassinada.
- MEU DEUS! – John estava boquiaberto

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

EPÍLOGO. CENTRAL PARK (DO OUTRO LADO DA PONTE)



A noite estava peculiarmente quente para um fim de verão.
Karen mantinha o ritmo enquanto percorria a calçada do Central Park.
Ela corria todos os dias no parque, mas sempre ao amanhecer, contudo, as últimas semanas foram de trabalhos intensos na revista.
O chefe havia anunciado uma promoção big para quem conseguisse aumentar as vendas.
Somente 03 jornalistas estavam no páreo: Joanne, Simon e Karen.
A jovem de 25 anos trabalhava na revista Lipstick, no coração de New York, como jornalista de moda júnior. O salário ainda era muito baixo e os custos para se manter na Big Apple eram altos, ainda mais para ela, que não só gostava de moda, mas também de ser parte dela.
Então porque ela se mantinha na profissão se o salário era baixo? Duas coisas: inveja e Anna Gio.
Todos sonhavam em trabalhar na revista mais badalada de New York. Então, quando Karen conseguiu o emprego, aos 22 anos, seus pais se encheram de orgulho e seus “amigos” de inveja.
E o principal motivo da inveja era Anna Gio, editora chefe da revista.
Rica, chique e influenciada.
A promoção seria para editor da revista, logo todos ali não estavam somente de olho no salário, mas no status.
Karen não era diferente.
Tudo isso passava pela cabeça da jovem corredora.
Precisava se esforçar mais, conseguir boas matérias, furos de reportagem, se destacar. Além disso, precisava ser estonteante.
Ninguém podia trabalhar em uma revista de moda e se vestir de qualquer jeito.
Como ficar deslumbrante se tinha que gastar todas as forças para conseguir se destacar? Correr era uma opção. Se manter em forma.
Correr era a única coisa barata o suficiente para lhe fazer esquecer dos problemas (ou coloca-los em ordem).
Também era algo que lhe remetia a seu pai. O Sr. Howard dizia que correr era o melhor exercício, para o corpo e alma.
A estrada não julga e está sempre a sua espera.
Contudo, as pessoas julgam e em momentos como estes, Karen não poderia dar azo ao azar. Colocar qualquer roupa para correr? JAMAIS! Isso tinha acabado.
Imaginem as manchetes: EDITORA DA LIPSTICK VESTE MACY'S
O simples pensamento já fazia Karen tremer. Só assim ela percebeu que acabou entrando no Central Park sem perceber.
Parou repentinamente.
- Como vim parar aqui! – falou para si.
Os pensamentos a levaram para dentro do parque. Seu pai sempre disse para não ir ao Central Park a noite, principalmente sozinha.
Ela olhou em volta, mas não reconhecia nada. Por mais que conhecesse o lugar, a noite tudo fica esquisito.
A adrenalina começou a percorrer o seu rosto.
Pegou o celular para ver a localização.
- Merda! – sem sinal.
Ela começou a voltar por onde veio. Fazia sentido em sua cabeça.
O caminho era estreito e escorregadio.
Como vim parar aqui! – pensou.
Passos rápidos. Silêncio. Somente a sua respiração, rápida e ofegante.
Começou a sentir um frio na espinha.
Suas mãos estavam nervosas. Apressou o passo.
Finalmente chegou em um lugar mais largo.
Ufa – ela respirava mais aliviada.
Não parou. Continuou o passo apressado. Olhou para o celular: sem sinal.
- Meu Deus! – praguejou.
Sentia que alguém a observada.
Acelerou o passo novamente.
Começou a olhar para trás. Um vulto ao longe.
Coração acelerou. Adrenalina.
O vulto se aproximava.
Ela acelerou.
Um passo e olhava para trás. Mais um passo e olhava para trás
Em dado momento, ela acabou tropeçando, caindo no mato e rolando até uma outra rua.
Percebeu que estava na East Dr., próximo ao Mayor John Purroy Mitchel Memorial.
- A saída! – ela exclamou.
Levantou rapidamente e saiu correndo, cruzando a rua para ficar do lado direito, longe do vulto.
Contudo, ao atravessar a pista, algo lhe chamou a atenção na beira da estrada. Parecia.... um parte de pernas?! – pensou.
Uma pessoa comum, em apuros, correria.
Um jornalista, louco por um furo, para e verifica.
Karen parou, no meio da estrada. Olhou para todos os lados.
Ofegante.
Se aproximou devagar. Olhando para todos os lados. Pegou o celular e começou a tirar fotos, esquecendo de verificar o sinal.
Só consegui ver os pés (tênis de corrida) e os tornozelos. O restante do corpo estava escondido por um arbusto.
Puxou as pernas.
A imagem era aterrorizadora.
O corpo de uma mulher, seminua, machucada e morta.
Karen começou a tirar as fotos. Mãos tremulas. Nunca tinha visto um corpo tão perto.
- Posso não conseguir uma promoção, mas uma manchete em outro jornal sim....
Seu pensamento foi interrompido por um par de mãos que a seguraram por trás.
Tinha se esquecido do vulto. Ele era real.
Ela tentou lutar. Gritar, mas o agressor era mais forte.
Karen chuta as partes baixas do agressor, que a larga e cai de joelhos Ela também cai. Tenta levantar, mas o agressor a atinge com uma pedra em sua cabeça.
Ela cai de bruços. Ainda estava acordada, mas sangrando.
Se arrasta, mas uma mão muito forte agarra o seu tornozelo, puxando-a.
Karen tenta gritar, mas não tem força.
Um soco e tudo se apaga.