sexta-feira, 2 de março de 2018

SUELEN NAVALHADA (+18)


Era tarde da noite quando o empresário André Braga Silveira dirigia pelas ruas do Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

Ele não estava saindo do trabalho.

Na verdade, André morava e trabalhava na Barra da Tijuca.

Naquela sexta-feira ele queria relaxar.

A tensão dos negócios e peso da família o desgastavam.

A esposa, Miriam, estava mais chata do que antes. Os filhos, já maiores de idade, não paravam em casa, não estudavam, apenas sugavam o seu dinheiro.

Então, ele tinha direito de dar uma esticadinha para ver novos ares e libertar os seus desejos.

Pegou o seu Audi A3 e partiu para o Ceasa da Boemia Carioca: A Lapa.

Dirigia pela Avenida Beira-Mar, dobrou a esquerda depois da Praça Paris, acessando a Rua Teixeira de Freitas, sempre atento ao movimento. Sempre atento a aparição de alguma menina.

Não achava nada que lhe agradasse. Chegou a Avenida Mem de Sá.

O bairro fervia. Os bares estavam lotados. A música se misturava. Samba, pagode, funk, reggae, rock, eletrônica. A Lapa pulsava.

André não queria isso. Ele adorava aquele ambiente, mas naquela noite ele queria algo mais.

Ele diminuiu a velocidade do carro ao ver um grupo interessante. Eram 3 meninas. Uma alta, morena, vestia um top apertado que destacava os seus volumosos seios, um par de coxas que dava água na boca de André.

Também avistou uma ruiva, mais baixa e com atributos sem tanto destaque, mas com uma boquinha que estava clamando por um boquete.

A terceira foi a que chamou mais atenção de André. Um loirão com uma bunda apetitosa e seios do tamanho ideal para uma espanhola. Vestia um conjunto muito apertado que mostrava bem os seus atributos. A microssaia exibia as belas coxas, grossas e prontas para uma boa pegada.

André escolheu em fim.

Ele encostou o carro perto da loira e deu duas buzinadas.

- Boa noite! - a menina falou se debruçando sobre a porta do carona.

- Olá! - André olhava a menina com um olhar faminto. - Qual é o seu nome, bebê?!

- Suelen! - disse de forma arrastada, com uma voz rouca.

- Quer dar uma volta comigo, Suelen?!

- Claro gostosão!

Suelen abriu a porta do carro e sentou no banco da frente.

André já tinha fechado o vidro fume do carro e acelerando levemente. Ao mesmo tempo, colocou a mão direita entre as pernas da menina, embaixo da saia, afastando a calcinha e segurando o membro da "menina".

- Nossa! Você é bem grossa!

Suelen colocou a mão em cima da mão de André, fazendo com que o homem segurasse com mais firmeza o seu sexo, deslizando para frente e para trás.

- Opa! - André estava ficando excitado, passando a língua nos lábios.

Suelen chegou mais perto do homem, e falou em seu ouvido.

- Se quiser, pode dar uma paradinha ali no acostamento e terminar o que começou. Depois, me leva para um ligar legal, sou toda sua, basta pagar o meu preço!

André prontamente parou no acostamento, deitou sobre o colo da "menina" e começou a lamber o seu membro, enfiando-o todo em sua boca. Movimentos nervosos e apressados, somente parando após a menina gozar dentro.

Ele saboreou cada gota.

Depois foi a vez de Suelen.

André levou a menina para um motel fuleiro na Rua do Lavradio. Tinha que terminar o que começou e ele não estava com pressa de largar aquela aventura.

- Vai ser ótimo! – falou Suelen.

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Machado saiu do quarto com a toalha em mãos ainda secando o cabelo, chegando à sala e encontrando uma mesa posta com café, pão francês, margarina, queijo e presunto.

- Bom dia! – dizia Sr. Aristides

- Bom dia pai! – cumprimentou Machado já comendo um pedaço de pão.

- Vai trabalhar hoje?

- Já tô saindo!

- De bermuda?! – brincou Aristides.

- Tá engraçadinho hoje, Seu Aristides! – ele parou e começou a sentir um cheiro diferente – Que cheiro é esse?

- É... é... café! – Aristides gaguejou.

- Café! Não... é perfume! – Machado foi farejando, chegando mais perto do pai – Passou perfume?!

- Perfume?! – quase engasgando com o café – Que isso?!

- Foi comprar pão... perfumado?! – Machado disse rindo. – Tá se enrabichando por alguma menina da padaria Seu Machado!? – disse ele implicando com o pai.

- Oh! Menino! – sem graça – Eu lá sou homem disso?!

- Quem é a escolhida?! A Michelle?

- Aquela menina tem sua idade!

- Na verdade menos! – Machado riu. Ele bebeu um gole de café. – Hummm, então é a... Maria?!

- Vixé! Deus me livre.

Os dois riram.

- Então! – ele parou – É a Dona Sonia?! – ele disse pausadamente.

- Olha, não falo mais nada!

- Ah! É Dona Sonia! Eita velho de sorte! – ele deu um tapa de leve no ombro do pai.

- Eu vou trabalhar! – Sr. Aristides disse levantando da mesa.

Machado ria enquanto terminava o seu café.

- Depois, limpa tudo. – Sr. Aristides já estava na porta da quitinete.

- Oh! Dona Sonia é maior gatinha, garanhão! – Machado disse piscando para o pai e depois caindo na gargalhada.

O pai fechou a cara e saiu.

- Esse Seu Aristides tá demais! – Machado falou para si.

Machado pegou o jornal que o pai deixou em cima do braço do sofá e olhou a manchete da capa.



CORPO DO EMPRESÁRIO ANDRÉ SILVEIRA É ENCONTRADO EM MOTEL NA LAPA




- Vixé! Parece que o trabalho me chama. – disse lendo a notícia e bebendo o último gole do café. 


Ele arrumou a mesa, lavou a louça, colocou uma calça jeans escura, um tênis preto tipo All Star, uma camisa branca com estampa do Superman e o coldre com sua pistola MD6 na cintura, escondida pela camisa. Pegou carteira, chaves do carro, celular e o distintivo da Polícia Civil. 

O pai já tinha aberto a loja embaixo da quitinete, mas estava varrendo a calçada quando Machado chegou. 

- Tchau pai! – deu um beijo na cabeça do Sr. Aristides – Só volto amanhã. 

- Tenha um bom dia, meu filho! – beijou a bochecha do filho – Tenha cuidado e Deus lhe proteja. 

Machado piscou para o pai, desligou o alarme do carro, um Gol g3 seminovo preto, entrou e partiu para a 5ª Delegacia de Polícia, no Centro do Rio de Janeiro. 

Diversos jornalistas já estavam na porta da delegacia. Por sorte, Machado entrava pela outra porta, evitando contato. 

- Fala ai, Barbeiro! – cumprimentou Marcelo Borges, quando Machado chegou ao salão da delegacia. – Wilson tava te procurando. 

- Já!? Deu alguma merda?! 

Ele caminhou para a sala do delegado. 

- Bom dia, Chefe! – cumprimentou. 

- Só se for pra você! – reclamou o delegado 

- Tá bom humor hoje! - sarcástico 

- Oh, Machado, vai a merda antes que me esqueça! – o policial riu – Já viu a quantidade de jornalista sanguessuga ai na porta?! – falou delegado. 

- Tudo isso é por causa do empresário?! 

- Pois é! 

- Quem vai ficar com o caso? O Izidoro?! - era o investigador mais antigo da policia. 

- Vai ficar com o senhorito e o Borges. 

- EU?! – disse surpreso. 

- Algum problema?! 

- De forma alguma, boss! Missão dá é missão cumprida! – disse ele fazendo sinal de continência com a mão esquerda. 

- Continência é com a direita! – corrigiu o Delegado. 

- É mesmo!? Ainda bem que sou civil! – fechou a porta. 

Machado seguiu até a mesa que dividia com Borges. 

- Tá com a pasta do empresário ai? – perguntou. 

- Toma! – disse Borges, jogando a pasta para Machado. 

- André Braga Silveira, 58 anos, brasileiro, casado, empresário – Machado passou a ler – apartamento na Barra da Tijuca e vários imóveis. – ele fechou a pasta e olhou para Borges – O que esse cara estava fazendo num motel de quinta na Lapa?! 

- Tá de sacanagem Machado!?

- Ele poderia ir a qualquer motel, pegar qualquer prostituta! 

- Tu é garoto mesmo! – Machado não entendeu – O cara foi atrás de traveco! 

Quer dizer que o Sr. Braga queria algo diferente! – pensou Machado. 

- Cadê o homem?! 

- Foi para o IML! 

- Vamos então! – falou Machado levantando. 

- Onde?! 

- No IML! 

- Fazer o quê?! 

- Ver o homem! 

- Qualé Machado! – reclamou Borges. 

- Tá com nojinho! Vambora rapá! 

O Instituto Médico Legal ficava na Avenida Mem de Sá, no Centro, a 600 metros da Delegacia. O prédio estava caindo aos pedaços. Na verdade o pessoal já contava os dias para a inauguração do novo prédio que ficaria em São Cristóvão. 

Os policiais foram recebidos pela legista Luiza, loira, da altura e idade de Machado e Borges. 

- Bom dia, senhores! – cumprimentou a legista 

- Oláááá! – um olá cumprido demais. Borges já estava arrastando suas asas para a legista. 

Machado limitou-se a sorrir sem dentes e apertar a mão da legista. 

- Nossa! – disse Borges a Machado, quando a legista os estava levando para a sala para exame cadavérico. – Deve ser gostosa demais, olha só essa bunda, mesmo debaixo do jaleco! Machado, tô apaixonado! 

Machado só balançava a cabeça repreendendo o colega. 

Ao chegarem à porta da sala onde ficavam os corpos, o cheiro já era insuportável. Borges começou a diminuir o ritmo. 

- O que foi?! – perguntou Machado debochado. 

- É... é.. vai na frente... eu... eu vou verificar o... corredor. 

- O corredor?! 

- É... dar cobertura?! – pigarreando. 

- Está tudo bem?! – perguntou Luiza. 

- Sim! Acho que o meu colega precisa, verificar o perímetro, né?! – perguntou de forma sarcástica. 

Borges não falou nada. 

Luiza e Machado foram até a sala ver o corpo do Sr. André. 

- Tudo bem?! – disse a legista ao descobrir a vítima. 

- Tudo. Não tenho estômago fraco como o Borges. 

- Não foi disso que perguntei. – ela deu uma olhada para ele. 

- Hum. – pigarreou - Bom, identificaram o horário e a causa da morte?! – Machado perguntou enquanto analisava um corte no pescoço da vítima. 

- Aproximadamente a uma da madrugada. – começou ela - O corte pegou a artéria carótida externa. Então, sangrou até morrer. 

Machado ficou quieto. Passou analisar o corte mais de perto. Luiza olhava o policial. Ele olhou pra cima sem mover a cabeça, percebendo que a legista estava olhando para ele, não para o corpo. 

- Bom... – ela foi pega de surpresa. Ele abriu um sorriso de canto, voltando a olhar para o corte. – Ainda estamos analisando a arma. 

- Foi uma navalha! – disse ele voltando a posição ereta, virando os seus olhos verdes para a legista. 

- Como você sabe?! 

- Conheço corte de navalha! – disse rindo. 

Machado já passou muito tempo como ajudante do pai, barbeiro de longa data. 

- Bom... 

- Vocês acharam mais alguma coisa?! – disse ele sério. 

- Como o corpo foi achado em um Motel, analisamos o pênis e o ânus, nada. 

- Camisinha?! 

- É provável, mas não havia nada no quarto. 

- E no colchão?! – disse após pensar por alguns segundos. 

- Se eu te mostrar o que o colchão contém, você nunca mais vai querer ir num motel! – ela olho diferente para Machado. 

- Eca! – ele fez cara de nojo. – Então, não temos material algum? 

- Aparentemente não! 

Machado coçou a cabeça, olhando o corpo frio a sua frente. 

- Espera! – ele aparentemente lembrou-se de algo. – Vocês olharam dentro da boca?! 

- Na boca?! – ela olhou para o policial confusa – Não vimos necessidade. 

- Vamos ver! 

Mesmo confusa, ela pegou um par de luvas e passou a analisar dentro da boca da vítima. 

- MEU DEUS!!! – ela exclamou. 

Bingo! – pensou Machado. 

Sr. André estava com a boca cheia de material genético alheio. 

Borges ainda estava mal quando os dois saíram da sala. 

- Quando eu tiver o resultado aviso vocês! – disse a legista com uma voz suave. 

- Obrigado! – falou Machado. 

-Aqui, meu cartão. – Borges aproveitando a oportunidade. - Me liga quando estiver pronto.

- Ah! Não precisa! – ela olhou para Machado – Eu tenho o telefone do Machado. 

- Tem?! – ele olhou para Machado perplexo. Este sorria, sem graça, olhando para o chão. 

- Então, me liga. 

Machado saiu rapidamente, com Borges atrás. 

- Seu filho da puta! – já do lado de fora do IML. 

- Que foi?! 

- Você tá pegando a legista?! 

- Foi só um cachorro quente! – ele coçou a cabeça – Lá perto da minha casa! 

- Safado! – ele deu um tapa leve no outro do colega. 

Machado tentou encurtar o assunto, entrando no carro. Ele não era de expor a sua vida pessoal. Tinha conhecido Luiza em outra investigação.Deixou o cartão com legista. Foi surpreendido com um SMS fora do horário de serviço. 

Pensando nos seus olhos verdes – dizia a mensagem. 

Disso para uma trepada no carro de Machado, depois do cachorro quente, não demorou muito. 

- E ae?! – Borges olhou para o colega! – Como foi? 

Machado suspirou e olhou para Borges. 

- Gostosa pra caralho! – falou enfim. 

- Ah! Safado! – os dois riram. 

Passaram no motel para pegar as gravações das câmeras de segurança, bem como o depoimento da atendente. Ela não viu quem acompanhava Sr. André, bem como quantos eram. 

De acordo com as filmagens, o carro do Sr. André entrou no motel às 23h39min e somente saiu às 01h29min. Logo, quem o assassinou também levou o veículo. 

Machado analisou todos os vídeos diversas vezes para tentar ver o rosto da acompanhante da vítima, mas só pode ver que era alta, usava roupa feminina apertada e tinha cabelão loiro. 

Contudo a qualidade das imagens era péssima e, aparentemente, a companheira do Sr. André sabia onde ficava cada câmera, pois se esquivava muito bem. 

Das duas uma, ou ela frequentava o local ou tinha algum conchavo com alguém do motel. 

Já era tarde da noite quando Machado levantou da sua mesa. 

- Onde você vai?! – perguntou Borges. 

- Vou caçar. 

- Então vou com você. 

- Não! Preciso que você fique aqui e espere a legista. Se tiver algo bom, preciso que você peça um mandado de prisão. 

- Tá confiante! 

- Sempre! – disse caminhando para o estacionamento. 

Dessa vez ele pegou o próprio carro, para ficar discreto. 

Sabadão e a Lapa estava fervendo. 

Ele rodou pelas principais ruas. Mantendo-se no radar do motel. Viu um grupo de travestis, diminuiu a velocidade. Era um local sem tanto movimento. Ele deixou a arma escondida, mas acessível para uso. 

- Boa noite, gostosão! – disse uma menina quando ele parou no acostamento. 

- Oi! Tudo bem?! 

- Tudo ótimo! – a voz arrastada e rouca. 

- Qual seu nome? 

- Kelly! 

- Kelly, né! Quer dar uma volta?! 

A menina abriu a porta do carro, sentou no banco da frente e prontamente colocou a mão na coxa de Machado, bem perto da virilha. 

- O que eu posso fazer por você?! 

- Olha, Kelly, sou um homem meio carente! 

- Sei! Sei lidar com homens assim! – A menina já ia se preparando para um bola gato. 

- Então, eu queria saber se você não quer jantar comigo?! 

- Jantar?! – ela parou sem entender. 

- Sim?! Você não janta?! 

- Olha colega! Eu tô trabalhando... 

- Calma, Kelly! Quanto você cobra para jantar comigo?! 

A menina ficou olhando o policial sem entender nada. Ele só sorriu e começou a dirigir. 

Pararam numa lanchonete pequena que parecia mais um PUB. Ele olhou a menina enquanto descia do carro. 

- Não tá com fome?! – ele foi irônico. Na verdade ele sabia que a travesti não estava acostumada com esse tipo de tratamento. 

Eles entraram no estabelecimento. Era pequeno e vazio. 

Escolheram uma mesa. Machado ficou do outro lado da mesa, de frente pra Kelly. Ele sorriu. 

- Então, Kelly! Soube do que aconteceu com o empresário ontem? 

Ela prontamente fechou a cara. 

- Olha, acho melhor eu ir embora. – já se arrumando pra se levantar. 

- Calma! Eu só quero fazer umas perguntas, nada demais. 

- Você é policial? 

- Sou! Machado, prazer! – disse estendendo a mão. Ela não cumprimentou. – Só quero conversar, mas nada. Se você não quiser falar, ok! – a garçonete apareceu. – Oi Manu! Tudo bem? 

- Oi Machado! 

- Teu pai tá ai?! 

- Tá lá em cima. Quer que eu chame?! 

- Depois. Primeiro eu vou querer o de sempre. E você, Kelly?! – ele virou para a travesti. 

Ela pensou se ia ou ficava. 

- O mesmo! – resolveu ficar. Estava com fome. – Mas eu não vou falar nada. 

- Sem problemas, pelo menos tenho companhia. – ele sorriu. Tinha que ganhar a confiança de Kelly. 

Ele tentou conversar sobre outros assuntos. 

Depois de algum tempo, o telefone dele tocou. Era Luiza. 

- Não consegui identificar. Acho melhor levar o material para um laboratório maior e tentar novos testes.  - disse a legista.

- OK. Muito bom! – ele disfarçava. – Obrigado! – desligou. – Bom, Kelly, acho que não vou mais precisar do seu depoimento! 

- Como?! 

- Ah! Era a minha legista. Ela identificou o assassino do empresário pelo material genético. Tinha até o endereço. 

- É?! – ela parecia nervosa – Quem era?! 

- Ah! Isso é confidencial! Mas uma coisa eu te digo, vou prender a pessoa agora. – neste momento Seu Júlio, dono do estabelecimento aparece. – Opa! Seu Júlio! – disse levantando para cumprimentar o homem. Kelly estava com olhar perdido. – Tudo bem? 

- Oh meu garoto! Tudo ótimo! E você? Como está teu pai?! – um sotaque português carregado. 

- Estamos bem! Inclusive o senhor tem que passar lá. Se desleixou?! – ele brincou, mas sem tirar os olhos de Kelly. 

- Nada! – ele brincou - Eu vou lá no final de semana que vem, ok?! 

- Beleza. – Kelly se levanta, perplexa. 

- Bom... eu.... já vou! 

- Kelly! – ela olhou para ele. – Toma, meu cartão. Se tiver alguma informação que queria contar, só me ligar. – ele piscou. 

- Você... é diferente! – ela saiu e ele sorriu. 

- Companhias diferentes as suas! – brincou Seu Júlio. 

- É o trabalho! Se o senhor me der licença, vou pegar um assassino agora. Coloca a comida na minha conta, depois passo aqui? 

- Pode deixar. 

Machado saiu apressado. Ele nem pegou o carro. Kelly estava a vista. Ele foi atrás. 

Não andaram muito. Ela entrou num sobrado na Rua Carlos de Carvalho, próximo a Praça da Cruz Vermelha. Era uma rua escura. 

Machado ficou observando. Mandou uma mensagem para Borges, informando o endereço onde estava. Ele não demorou a chegar. 

Borges posicionou o joelho para Machado subir. Ele conseguiu ver, mesmo que parcialmente, um Audi A3, com as letras parecidas com a placa do carro do Sr. André. 

- E ae? O que faremos? – perguntou Borges quando Machado desceu. 

- Oh! Escutou?! 

- O quê? 

- Você escutou um grito?! Eu escutei! – ele arregalou os olhos para Borges. 

- Sim – ele entendeu. – Eu escutei um grito. 

Eles puxaram as pistolas, deixando-as em punho. Machado meteu o pé na porta do sobrado, que se escancarou. 

Entraram com cautela no local. 

Chegando perto do que poderia ser o quarto, um cheiro pitoresco. 

Ao entrarem no quarto, viram 2 corpos nus em cima da cama, uma travesti, loira e um homem magro, moreno, provavelmente perto dos 30 anos. Ele foi degolado. Ela estava com os olhos vidrados, imóvel, com a boca espumando e uma seringa espetada no braço esquerdo. 

Kelly estava no canto do quarto, chorando. 

- Parada! – gritou Machado. – Levanta com as mãos pra cima. – Borges... Borges.... – tá de sacanagem que tá passando mal, pensou. 

- Oi! – ele estava. 

- Deixa pra lá, só me dá cobertura ai. – Machado algemou a travesti. 

Já com o Sol nasceu, Kelly foi depor. Informou que foi companheira de Suelen, a travesti que estava na cama. Até que esta começou a usar drogas pesadas e aplicar golpes para pagar o cafetão, o homem que estava degolado. Ele também fornecia drogas. 

Não era o primeiro homicídio de Suelen, que, inclusive, já havia machucado Kelly. 

O delegado deduziu que o carro seria o pagamento para o cafetão. 

O sangue estava seco, então teoricamente não teria sido Kelly quem matou o cafetão. 

Suelen Navalhada, como ficou conhecida na delegacia, era, na verdade, Maurício Simprino Soares. 

O delegado, então, ia liberando Kelly. 

Quando a travesti estava de saída, Machado foi falar com ela. 

- Kelly! – ele a alcançou – Obrigado pelo depoimento! 

- De nada. – ela estava mexendo na bolsa. Parecia muito nervosa. 

- Está tremendo?! 

- Era minha amiga! – mentiu ela. 

- Entendo! Se cuida! – ela já ia se virando – Ah! Mais uma coisa! – ele abriu um papel – Sabe o que é engraçado?! O DNA do Maurício não bate com o material coletado no Sr. André. 

- Não! – ela gaguejou. 

- Não! Mas o seu bate! – ele olhou sério para Kelly. 

- Como assim?! – ela gaguejou. Machado percebeu que ela pegou algo na bolsa. 

- Eu peguei o copo e o guardanapo que você usou na lanchonete. – ela ficou séria. 

Kelly puxou uma navalha da bolsa, mas Machado foi mais rápido e segurou o braço da moça, puxando a sua pistola. 

- Solta ou eu atiro?! – disse Machado. 

A travesti soltou. Machado a algemou e agora era definitivo. 

Kelly era Suelen. Pode parecer confuso, mas era isso que ela queria mostrar. Machado procurou na rua alguma travesti que batesse com a descrição no vídeo. Ele viu diversas vezes, então conseguiu gravar na memória o que pode. 

Kelly/Suelen tinha uma marca nas costas. No vídeo, parecia uma marca, mas ao vê-la pessoalmente, quando a travesti tentou fugir da lanchonete, percebeu que era uma tatuagem. 

Ela percebeu que Machado a estava seguindo, então partiu para o sobrado que mantinha com Maurício, no intuito de fazer uma cena qualquer e tentar escapar. 

O homem degolado era realmente o cafetão das duas. Kelly/Suelen encontrou a amiga morta na cama, quando ia contar que pegou uma bolada com o Sr. André, além do carrão. O cafetão apareceu, então, cheia de raiva, Kelly/Suelen o matou. 

Ela precisava agir normalmente, pelo menos naquela noite, pois as colegas iriam reparar. Quando voltasse, mais tarde, pegaria o carro e sumiria. Contudo, esqueceu que deixou seu DNA no copo e guardanapo. 

Machado, na verdade, não pegou material nenhum. Apenas blefou. 

Saindo da delegacia, ele se despediu de Borges, pegou o celular e ligou para Luiza. 

- Já saiu? – esperou a resposta. – Quer comer um cachorro quente?!



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