sexta-feira, 30 de março de 2018

...NÃO ENTRE EM PÂNICO. MACHADO ESTÁ AQUI! (+18)


(cont.: ...E QUANDO TUDO SE MOSTRAR RUIM...)

Após fazer um curativo na cabeça, Machado levou Debinha para o interrogatório.
- Muito bem, Sra. Débora. – Machado sentou na cadeira a frente – Parece que a situação mudou, não é mesmo! – ele sorriu.
- Eu quero meu advogado!
- Pra quê?!
- Tenho direito!
- Sim! Você tem direito! Contudo, acho que não vamos precisar de advogados aqui.
- É mesmo! – falou de forma melosa.
- E também não é com charminho não!
Ela se largou na cadeira.
- O que então?!
- Você me ajuda e eu posso não registrar o que aconteceu.
- Olha só!
- Não é desta forma. Quero que você fale sobre o Henrico.
- Quem?!
- O motorista de ontem a noite.
- Ah! Ele! O que tem ele?!
- O aconteceu na noite de ontem?
- Ele me levou para a casa do Vini.
- Só isso?!
- Claro!
- Então ele mentiu e vai pagar por isso. – disse levantando da cadeira.
- O que ele falou?
- Importa?!
- Talvez!
Machado sentou novamente.
- Que tal você me contar a história completa.
Ela respirou fundo.
- Ele vai me matar.
- Quem?
- O Dono.
- Por que ele faria isso?
- Porque eu sou a mulher dele.
- Olha só! – Machado relaxou na cadeira. – Temos uma celebridade! – sarcasmo.
- Pois é...
- Bom. Se eu não matei o seu namorado, quem você acha que matou?
- Eu sei que foi o Dono, mas pensei que você era dele.
- Não me misturo com vagabundo.
- Um homem da lei!
- Exato!
- Conheci outros como você.
- Quem? O Vini!
- Não. Vini tinha as paradas dele. Os caras como você normalmente morrem.

- Então ainda tô no lucro.
- Ainda dá tempo. Você é novo, bonito... esses olhos verdes fariam bem a minha coleção.
Machado riu.
- Sra. Débora. Me dá o serviço ou você vai ficar aqui. Eu vou pegar o seu marido.
- E o que eu ganho com isso?!
- Será uma boa cidadã. – ela riu – Vai tirar um homem da cadeia.
- Quem?
- O Henrico.
- Por que ele tá preso.
- Por matar a mulher e o amante dela.
- COMO?! – ela ficou surpresa. – Não! O motorista não faria isso!
- Como você sabe disso?!
- Por que o cara é um bundão! Ele é legal, mas não faria mal a ninguém!
- Acontece.
- Não! Foi o Dono.
- Como você tem certeza.
- Olha... eu não posso.
- Débora. Pense assim. Se o Dono cair. Quem fica no lugar.
- Agora nem eu sei. O braço direito dele morreu.
- OK. Mas se o Dono cair, outro surge. Isso é fato. – ele olhou nos olhos dela – Contudo, o rei pode ser deposto, mas a rainha...
- Hummm
- Então, você me ajuda e eu te ajudo.
Ela pensou por algum tempo.
- OK. Eu vou contar o que aconteceu.
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- Cara, acho melhor você falar antes que o Machado chegue. – disse Borges a Izidoro.
- Qualé Borges. Eu tô ferido. Me leva para o hospital!
- Tá de sacanagem! Você atira em mim e ainda quer compaixão?! Eu ainda fiz curativo.
A porta abriu bruscamente. Machado entrou na sala.
- Ele falou?!
- Não. – disse Borges.
- NÃO!!!!!
Machado foi até Izidoro e apertou o curativo. Izidoro urrou de dor.
- Vai falar?!
- EU FALO! EU FALO!
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- Alô, Borges?!
- Fala ae Dr. Claudio!
- Eu tô com o Habeas Corpus e o Duarte pegou os bandidos que me seguiam. Parece que eram do...
- Do Marquinho, o Dono. – interrompeu Borges.
- Isso ae! – o advogado se surpreendeu – O Duarte te falou?
- Não. Fatos novos aconteceram aqui. Depois eu te passo. Na verdade, temos mais um assassinato a mando dele.
- Nossa! Então vão retirar a denúncia contra o Henrico.
- Na verdade ele já foi até pra casa.
- Como assim?!
- Eu te disse. Fatos novos rolaram aqui. Relatei para o Delegado e já liberei o rapaz.
- Tem quanto tempo isso?
- Mais de uma hora, eu acho. É que teve confusão aqui e eu tinha liberado ele antes...
- BORGES!!!! O DONO DEVE SABER ONDE ELE MORA!!!!
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- Quando você vai me liberar? – perguntou Debinha.
- Depois que o CORE pegar o seu marido. – falou Machado.
- Qualé! Não foi esse o combinado!
- O combinado era te liberar, mas não falei quando.
Ela se largou na cadeira da sala de interrogatório.
- Você acha realmente que vou te liberar para que você ligue e avise o Dono?! – falou Machado.
- Ele tenta me mata e vou ajuda-lo!
- Ahhhh! Pra cima de mim! Tenho certeza que você inventa algo e volta como a salvadora! – ela riu.
- Pois é, mas o seu colega liberou o motorista! – ela se aproximou mais do policial – Você acha que o Dono não sabe para onde o Henrico vai?!
- MACHADO!!! – Borges apareceu esbaforido na sala– DEU MERDA!!!
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Henrico chegou à casa dos pais. Estava exausto.
Foi direto para o banheiro. Tomou um banho demorado, queria tirar toda a sujeira da cadeira.
Não importava quanto esfregasse, continuava se sentindo sujo. As cenas daquela noite passavam repetidas vezes em sua cabeça.
Saiu do box, pegou roupas limpas e foi até a sala.
Silêncio.
- Mãe! Pai! Alguém?! – ele berrou.
Subiu. Foi até o quarto dos pais. Quase caiu duro.
- Fala ae Uber?! – falou Marquinho – Como foi o xadrez?
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Machado estava a mais de 110 km/h. A sirene cantando e o carro costurando na pista.
Borges informou que Henrico tinha avisado ao advogado que estava morando com os pais, na Tijuca, então Machado cantou pneu.
Chegando mais próximo da rua dos pais de Henrico, Machado desligou a sirene.
- Tá maluco! – falou Borges.
- Você quer que o Dono saiba que estamos chegando.
Borges ficou quieto.
O endereço era na Rua Tobias Moscoso, então Machado parou na esquina da Rua Amoroso Costa.
Os dois colocaram o colete à prova de balas, distintivo no pescoço e armas em punho.
- Borges, presta atenção. – Machado falou baixo. – Sem afobação! Me segue.
- Deixa comigo!
- Deixa comigo é o caralho! Me segue! Sem heroísmo.
Calmamente eles caminharam até a casa dos pais de Henrico. Silenciosamente e encostados nos muros das casas. A rua estava deserta.
O imóvel tinha dois andares.
Machado olhou, cautelosamente, o quintal e tentou olhar o interior. Sem movimentos.
- Fica aqui. – disse bem baixo para Borges. – Vou ver se tem outra entrada.
Borges confirmou com a cabeça.
- Machado. – Borges chamou baixo – Cuidado que aqui tem comunidade.
Ele confirmou com a cabeça.
Machado deu a volta no quarteirão, chegando à Praça Tabatinga.
Viu que havia um condomínio atrás do imóvel.
- Bom dia! – disse ao porteiro – Preciso entrar. – mostrou o distintivo.
O porteiro não questionou.
Machado colocou a pistola no coldre e pulou no muro, agarrando em cima para ver o que tinha do outro lado. Por sorte, era um imóvel abandonado. Então ele pulou.
Estava atrás da casa de Henrico. Novamente, deu uma olhada. Havia uma entrada pelos fundos.
Machado respirou fundo, estalou o pescoço e num movimento rápido, pulou o muro, sem fazer barulho.
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Os pais de Henrico estavam desmaiados e amarrados.
- Por favor! Não faça nada com eles! – Henrico implorava para Marquinho.
- Era pra você morrer naquela cela, mas pelo visto meus homens não deram conta. – ele balançava a cabeça negativamente – Pois é! Então eu tenho que fazer o serviço! – apontou a arma para o motorista.
- Qualé cara! – ele chorava – Eu não te fiz nada.
Marquinho agarrou Henrico e o jogou na parede. Jogou o corpo para cima do rapaz e encostou a arma na face de Henrico.
- NÃO ME FEZ NADA, VACILÃO!!! VOCÊ MATOU MEU BRAÇO DIREITO. QUASE ME MATOU!
- Você ia me matar!
- Mas tava no meu direito.
Marquinho largou Henrico.
- Meu direito de homem!
- Minha esposa já tá morta. Eu não fiz nada com a sua mulher...
- Fez nada não! Eu já cuidei do cara que fez! – o Dono falou sorrindo – E agora chegou a sua fez. Pra sala! Vamo!
Ele empurrou Henrico pela escada até a sala.
- Tem carro ai?!
- Tem sim. – disse Henrico desesperado.
- Então vamo pra garagem!
- O que você vai fazer!
- Não vou cometer o mesmo erro. Vou te matar longe, assim ninguém acha corpo e não dá mais merda.
Passaram pela sala e foram em direção a garagem, passando pela porta da cozinha, que estava entreaberta.
Marquinho estava tão focado em seu objetivo que não percebeu um olho verde na fresta da porta da cozinha.
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Assim que os dois saíram da sala, Machado abriu a porta, sem fazer barulho, e foi, rapidamente, atrás da dupla.
O Machado não contava era que Borges estava esperando na entrada da garagem.
Quando a dupla surgiu, Borges apontou a arma.
- POLICIA! PARADO MARQUINHO!
Marquinho agarrou Henrico e colocou a arma na sua têmpora.
- Se mexer mais um pouco eu mato o carinha!
Machado não viu alternativa.
- PERDEU! PERDEU!
- Perdeu é o caralho! – esbravejou Marquinho.
Marquinho se posicionou encostado na parede, onde nenhum dos dois policiais o pegaria desprevenido.
- Acabou Marquinho!
- Eu não vou ser preso! Se eu for, ele vai comigo!
Machado andou devagar para ter um ângulo melhor.
- Pensa bem! Você não quer o sangue dele em suas mãos. É só um motorista.
- Não! Vai ser um motorista, um policial militar e dois civis. Fora os outros.
Machado estava de frente com Marquinhos. Borges ainda tinha ângulo.
- É a sua última chance! – disse Machado.
-Ah! Vai se fu...
Antes que Marquinhos terminasse, Machado viu que ele abriu uma brecha, deixando a cabeça mais afastada de Henrico, o policial não pensou duas vezes. Foi necessária apenas uma bala da pistola.
POW
A bala acertou a base do cérebro de Marquinhos. Ele morreu sem o oscilar no gatilho. A cabeça foi para trás, o sangue espirou na parede e o corpo foi direto para o chão.
Henrico estava imóvel.
- LIVRE! – berrou Machado, abaixando a arma.
Borges se aproximou, ainda apontando a arma para o corpo de Marquinhos.
- Ele morreu?!
- Sim! – Machado olhou para o rosto de Borges. – Você nunca me escuta! – e foi andando até a saída da garagem.
- Mas o que foi?! – Borges não sabia o que tinha feito.
- Cuida do Henrico! – falou Machado e saiu.


CHACINA EM SENADOR CAMARA

Moradores ficam perplexos com ação do CORE na manhã do ultimo sábado. Mais de 30 traficantes são brutalmente assassinados durante ação da policial para cumprir mandado de prisão.


- Como eu adoro jornalistas! – falou Machado ao ler o jornal enquanto tomava café com o pai.
- Tá resmungando agora! Parece velho! – brincou o pai.
- Pois é! Tô ficando velho, Seu Machado!
Os dois riram.
- Vai trabalhar hoje?! – perguntou o Sr. Aristides.
- Não! Hoje eu vou passar um dia tranquilo com o meu velho pai!
- Ah! É mesmo! – falou o pai sem graça.
- O que foi? – Machado ficou confuso.
- É que eu tenho que sair..
- Hummmm!
- Não vem não!
- Não falei nada! Tigrão! – Machado gargalhou.
Sr. Aristides ficou envergonhado, mas riu depois.
O telefone de Machado tocou.
- Fala patroa!
- Qualé Machado! – era Borges.
- Você não me larga!
- É sério! Eu quero pedir desculpas, eu vacilei ontem.
- Tá tranquilo! Só não vacilar na próxima.
- Valeu.
- Idiota quer morrer! – reclamou após desligar o telefone.
- Quem?
- O Borges.
- O que ele fez dessa vez?! – até o Sr. Aristides já estava acostumado.
- Depois eu te conto, mas quem é a gata?!
- Você não vai me deixar em paz, né?
- Não!
- Tá bom, vou falar, mas primeiro vamos dar um jeito nesse cabelo e barba. – ele mexeu no cabelo do filho – Nem parece filho de barbeiro.
Machado riu, percebeu que o pai estava tentando fugir do assunto. Não se importava, ele tinha todo o tempo do mundo.
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Claudio encontrou Borges, que estava terminando o turno.
- Você não tira folga não?! – questionou Borges.
- Eu tô de folga, não tá vendo a roupa?! – Claudio estava de polo e calça jeans. – Só vim pegar a papelada do Henrico.
- Como ele está?
- Ele e os pais estão internados. Vão ficar lá até acalmarem os nervos.
- Bom!
Borges pegou uma papelada, assinou e entregou para Claudio, que assinou o recibo.
- Que mal lhe pergunte. – começou Borges. – E os seus honorários?
Claudio riu.
- Não tá sabendo? – Borges fez cara de interrogação – A passageira pagou os “custos”.
- Nossa!
- Todos os custos! Médico, casa, honorários, carro...
- NOSSA!
- Pois é! Ele fez aquilo para salvar a vida dela. Acho que, mesmo nas piores pessoas, encontramos algo bom.
- Hum! Eu não acho!
Os dois sorriram e apertaram as mãos.
Claudio ia se afastando, quando Borges o chamou.
- Doutor! Tem uma pessoa que prendemos outro dia...
- Tá vendo! – Claudio o interrompeu – Por isso não tenho folga! – brincou o advogado.
Ele virou e andou até a porta. Parou, pensou e falou.
- Qual o nome da pessoa?!
Borges sorriu.
- Suelen.






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