sexta-feira, 9 de março de 2018

ERA UMA NOITE CHUVOSA DE SEXTA-FEIRA....(+18)


O advogado Claudio Aguiar continuava trabalhando em seu escritório, localizado no Centro do Rio de Janeiro.
Estava tarde. Seus sócios, Luiz e Suzana, já haviam se recolhido, assim como a secretária Joanna.
Claudio estava sozinho no escritório. Ele preferia. Morava sozinho, no bairro da Lapa, não era longe do escritório, mas com a chuva que caia na cidade, só Deus sabe como estariam as ruas do Centro.
Então, ele preferia ficar ali, trabalhando.
O escritório tinha pouco tempo de formação, mas o número de processos crescia bastante, assim como o trabalho.
A namorada de Claudio, Sandra, dizia que Luiz e Suzana se aproveitava da gana dele. Ele queria que o escritório desse certo. Queria crescer. Assim, a quantidade de noites perdidas no escritório só crescia.
- Logo serei recompensado! – dizia Claudio a Sandra – Estou plantando e logo vou colher os frutos!
Sandra se preocupava muito com o bem estar de Claudio. Ele acreditava nas pessoas. Ainda era jovem...
De repente, o celular de Claudio toca.
- Alô!
- Boa noite, Claudio!
- Fala Borges!
- Desculpe o horário, mas eu sei que o doutor costuma fazer serão, então achei por bem arriscar.
- Pois é! – ele riu – Quem quer crescer, tem que trabalhar bastante!
- Isso aí! Inclusive, tem uma parada aqui na delegacia.
- É mesmo?! – Claudio tirou os óculos – Qual é?
- Um tipo que o Doutor gosta.
- Tá fazendo suspense?! Claudio brincou.
- Valorizando seria a melhor colocação! – ele riu – Dá uma passada aqui agora?!
- Poxa, agora?!
- Qualé! Quanto te passei papo torto?!
- Tá bom! – disse respirando fundo – Daqui a 40 minutos tô ai.
Borges era um dos investigadores da 5ª Delegacia de Polícia. Claudio chegou a ajudá-lo em assuntos jurídicos e particulares, então Borges sempre ajudava em troca.
Nunca pediu dinheiro, ao contrário dos contatos do sócio de Claudio. Era tudo na amizade. Claudio também não tinha cobrado pelo serviço. No final, os honorários perdidos rederam bons frutos.
Mesmo de guarda-chuva, Claudio chegou encharcado na 5ª Delegacia.
Borges logo apareceu.
- Opa! - o policial veio cumprimentar.
- E aí! Tô aqui!
- Então! – começou Borges - O cara tá sendo acusado de dois homicídios.
- Qual o nome dele?!
- Henrico. Ele matou a esposa e o amante dela.
Hummmm – pensou Claudio.
- Tá! Deixa conversar com ele.
- Então vem comigo!
O policial o levou para uma salinha onde Henrico se encontravam. Jovem, uns 30 anos talvez, moreno, boa aparência.
- Boa noite Sr. Henrico! – disse Claudio ao entrar.
Ele, que estava olhando para baixo, perdido em seus pensamentos, se assustou quando um homem caucasiano e de terno apareceu de repente.
- Meu nome é Claudio Aguiar e vim ser o seu advogado.
- Mas eu não tenho advogado e muito menos dinheiro.
Claudio escutava isso com frequência nos casos que Borges passava para ele.
- Isso não é importante agora! – disse o advogado, puxando uma cadeira. – Então, o que aconteceu.
Henrico ficou quieto. Deveria estar desconfiado.
- Se o senhor preferir, posso deixar para a Defensoria!?
- Não! – finalmente falou Henrico – É que eu ainda não consigo acreditar no que aconteceu.
- Vamos fazer o seguinte. Me conta o que aconteceu e temos resolver.
- OK.
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Era uma noite chuvosa. Henrico dirigia pelas ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro. Tinha acabado de terminar uma corrida. A última do dia.
Por 10 anos ele exerceu a profissão dos seus sonhos. Ele era engenheiro civil. Formação escolhida por seu pai, mas que Henrico abraçou com todas as suas forças.
Contudo, o último mês foi um verdadeiro inferno.
Perdeu o emprego dos sonhos, em uma grande construtora, e juntamente foram o salário, benefícios e uma vida confortável.
A empresa onde trabalhava foi a falência após a prisão de 5 sócios e 02 gerentes. O sexto sócio não foi preso, mas fugiu do país. Já o sétimo e último, acabou se matando.
Enquanto o mundo caia em lágrimas, Henrico voltava com o seu carro, um Honda HB20, para a casa dos seus pais. Não foi só o emprego que Henrico perdeu, mas o amor da sua vida. Danúbia!
Danúbia sempre foi uma menina fútil, mas o amor era cego. Mal ingressou na firma, Henrico pediu a mão do amor da sua vida em casamento.
As juras de amor eterno foram trocadas em uma cerimônia com toda pompa, realizada na Estrada das Canoas, São Conrado, Rio de Janeiro.
No começo, a perda do emprego era insignificante. Ele tinha umas economias, então poderia procurar emprego tranquilamente.
Ela não queria saber de perder a vida que tinha. Para ela, Henrico tinha que prover a casa e as futilidades dela. O seu padrão de vida não mudaria.
Então, as contas só cresciam e ele tinha que sustenta-a. Teria que honrar o compromisso.
- Amor, tudo bem, mas toda semana salão de beleza?! Jantar fora com as amigas.  – ele chegou a ensaiar na frente do espelho.
Na tinha coragem de falar com a esposa.
O engenheiro não sabia como pagaria tudo. O financiamento era prioridade, mas as parcelas eram altas. As compras para abastecer a casa também eram altas. A esposa queria tudo do melhor.
Um belo dia, Henrico chegou em casa, depois de passar o dia procurando emprego. Ao entrar no quarto do casal, viu sua esposa, o amor da sua vida, em sua cama com o melhor amigo dela, Cristiano.
Henrique ficou sem chão. Sem reação.
Danúbia disse que a culpa era dele, pois não a provia, não a sustentava como ela merecia e não a satisfazia na cama.
Trouxa, ele deu razão a ela. No dia seguinte, ao voltar para casa após nova busca por emprego, viu que Danúbia tinha deixado uma mala na porta e trocado a fechadura.
Henrique pensou em se matar.
Sua vida perfeita tinha acabado.
Estava no fundo do poço, até encontrar com Maurílio, um velho amigo.
- Cara! Você deveria saber que sua esposa era uma piranha sanguessuga! – falou Maurílio.
- Não fala assim! Ela... eu.... eu decepcionei ela!
- Henrico! Vai te fuder! Você dava tudo e ela não fazia nada para você! - ele ficou quieto. Ainda amava a esposa. – Vai me dizer que esse amor é tão cego que você não ficou puto com os dois!
A cena passava repetidas vezes na sua cabeça.
- Você vai morar onde?!
- Tô na casa dos meus pais!
- E o trabalho?!
- Isso que tá foda!
- Cara! Você não tem carro?!
- Sim. O carro tá comigo!
- Então! Vira Uber!
Henrico não achava aquela ideia viável no começo, mas pensou bem e acabou aceitando.
Para a surpresa de Henrico, o dinheiro voltou a entrar. Conseguiu fazer um bom dinheiro. Então ele fez justamente a coisa mais idiota. Procurou a esposa.
- Você tá maluco?! – ela disse. – Eu! Voltar para você! Um motorista de Uber?! – ficou a porta na cara dele.
Henrico estava no limite. Pegou o carro e saiu dirigindo pela cidade.
Chovia bastante na cidade. Era tarde quando resolveu voltar pra casa. Ainda estava puto com a sua vida. As palavras de Maurílio e Danúbia rodeavam a sua cabeça. A cena da esposa nua, cavalgando em cima de Cristiano, na saia da sua cabeça.
Na verdade, dentro da sua cabeça ele tinha a cena completa. Ela gemendo de prazer, enquanto Cristiano enfiava o seu membro dentro do ânus da esposa. Na cama do casal. Depois em uma nova posição. Ela o membro do rapaz em sua boca, lambendo-o.
Henrico quase bateu com o carro. Acordou do transe com a buzina do carro em frente.
- Filha da puta! – gritou ele. Na era para o outro motorista, mas um grito de liberdade.
Ligou o aplicativo novamente. Uma última corrida.
Um jovem casal. Excessivamente afetuoso. O rapaz ficava com a mão dentro da saia da garota, enquanto dava beijos lascivos. Passaram a corrida inteira dando uns amassos no banco traseiro. Na conversavam, era só pegação.
Henrico parou no destino, mas somente o rapaz desceu.
- Moço! Eu sei que só tem uma corrida, mas o senhor pode fazer outra pra mim! – disse a menina. – Eu pago em dinheiro.
- Onde é?!
- Na Rua Bartolomeu de Jesus, em Bangu. – disse ela timidamente.
- Isso fica muito longe!
- Eu tenho dinheiro. – ela tirou da bolsa um maço enorme de dinheiro. Henrico ficou impressionado.
- Meu Deus! Você é maluca de andar com isso!
- Então! Me leva?!
Ele pensou e acabou aceitando.
Demorou para ele descobrir que na verdade o endereço era na Vila Aliança, uma comunidade de Senador Camará tomada pelo tráfico. Ao entrar em uma das ruas próximas do destino, Henrico só viu um monte de fuzil apontado para ele, fechando a rua.
Antes que ele pudesse fazer alguma coisa, a menina abaixou o vidro.
- Oh bando de pau no cú! Deixa eu passar, porra! – ela falou com uma propriedade que surpreendeu Henrico.
- Oh! Debinha! O Marquinho tá te procurando! – falou um dos bandidos.
- Então fala pra ele que não tô com tempo. Tô cansada e quero ir pra minha casa.
- Não vai rolar! Ele tá vindo já!
Na demorou, o Dono apareceu. Abriu a porta do motorista, arrancou Henrico, o jogou no chão e apontou a pistola.
- Então quer dizer que é esse merdinha! Carinha de nerd! – berrou o Dono.
Debinha saiu do carro.
- Oh, Marquinhos! Se pirou! Ele é do Uber porra!
- Uber é o caralho! – ele apontou a pistola para ela. – Tô ligado que você tá dando pra outro, sua piranha!
- E se tiver?! – ela enfrentou ele – Você tem uma porrada de piranha aí!
- Mas eu posso! – ele deu um chute em Henrico – Tú vai morreu, filho da puta!
- Marquinhos! Deixa o rapaz! Ele é do Uber, merda! – falou ela.
- Por favor! – falou Henrico, desesperado – Eu tenho esposa...
- Esposa! – Marquinhos puxou Henrico, jogou para cima do carro e encostou a pistola no rosto dele. – Então eu vou matar você e aquela filha da puta ali – apontou para Debinha – e depois vou fazer uma visita para a sua esposa.
As cenas que atormentavam Henrico passavam como um filme em sua cabeça.
- Faz isso não! Por favor! Eu levo você até o namorado dela.
Debinha ficou incrédula. Até aquele momento ela estava se controlando. Obviamente ela tinha medo de Marquinhos, mas sabia fingir bem e, com sorte, sairia viva. Agora, era sentença de morte. O namorado era policial.
- Olha só, Debinha! O rapaz até que é dos meus! – Marquinhos riu – O Sombra! – ele chamou outro bandido – Vamborá pegar o babaca. O X9 aqui vai dirigir pra gente. – ele virou para a menina – Entra na porra do carro! – disse sério.
Ela não discutiu. Sentou atrás do motorista. Quando Henrico entrou, ela foi ralhar com ele.
- Ele vai matar nós! – disse baixo.
- Coloca o cinto!
Debinha se surpreendeu. O rapaz tinha sido simpático a viagem toda, mas sempre com uma voz de medroso, pobre coitado. Agora, parecia muito mais seguro.
Marquinhos e Sombra entraram no carro. O Dono na frente e o Sombra logo atrás. Não colocaram cinto.
- Vamo, Uber!
Henrico passou a dirigir. Manteve a velocidade no limite.
Ao chegar perto da Prefeitura, no Centro da Cidade, Henrico passou a acelerar mais o carro.
Todos estavam despercebidos. Apenas Marquinhos notou o aumento.
- Qualé, Uber! Vai levar multa porra! – ele riu. – Diminui essa merda – dizia apontando a arma para a cabeça de Henrico.
Este virou levemente a cabeça para o lado, olhando para o traficante, depois olho no retrovisor dentro do carro, viu que Debinha estava de cinto. Chovia.
Henrico freou bruscamente e jogou o carro para a esquerda. Ele deu um pinote, girou, perdeu o controle e foi em cheio para um poste grande na Avenida Presidente Vargas. O poste acertou no meio do carro, entre a porta dianteira e traseira dos passageiros.
Só se ouvia o som da chuva e do limpador do para-brisa.
Henrico empurrou a sua porta. Estava machucado, mas inteiro. Tirou Debinha. Ela estava bem.
- Você é maluco!?
- Sim! – ele arrancou um beijo dela, de nervoso – Desculpa!
- Tudo bem! – ela devolveu o beijo – Agora some!
Os dois correram. Nem olharam para ver se Marquinhos e Sombra estavam bem ou não!
Por sorte do destino, um táxis vinha na direção oposta.
Pegaram, inventaram alguma coisa e partiram. Ela foi para a casa do namorado. Ele foi para casa. A sua casa. Estava com sangue nos olhos. A adrenalina corria no sangue.
Debinha pagou tudo. Uma boa quantia para o taxista.
Henrico não quis saber da hora. Meteu o pé na porta. Cristiano estava lá, em pé na sala.
- Quê isso!?
Antes que tivesse qualquer reação, Henrico derrubou o merda com um soco no queixo.
- Que porra é essa Henrico!? – berrou Danúbia, vendo a cena e o estado de Henrico.
- Cala a boca, sua piranha! – Ele deu um tapa da esposa e depois colocou-a no ombro.
Henrico jogou a esposa na cama, arrancando a roupa dela e as dele. Ela tentou lutar, mas ele a segurou.
- Acabou essa merda! Tú é minha e vai ser!
Ela olhou a cara dele. Totalmente diferente do marido otário que tinha. Então, ela se deixou.
Ao acordar pela manhã, Henrico percebeu que a esposa na estava na cama. Se sentia ótimo. Levantou da cama e ao chegar na sala, viu uma cena digna dos filmes de Tarantino.
Marquinhos, ensanguentado, sentado no sofá, bebendo, com Danúbia e Cristiano mortos aos seus pés.
- Qualé Uber! – falou – Esqueceu os documentos do carro! – ele mostrou os documentos.
Henrico estava paralisado.
- Eu poderia te matar agora! – Marquinhos levantou e caminhou em direção a Henrico – Como você fez com o Sombra. – já estava cara a cara – Poderia te deixar agonizando, como fez comigo. – ele balançou a cabeça – Não! Você vai responder por isso aqui! – ele apontou para a cena. – Já liguei para um parceiro meu na delegacia. Você tá fudido! – falou dando tapinhas no rosto de Henrico.
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- Então ele saiu. Eu estava paralisado. Danúbia! – Henrico terminava de relatar os fatos para Claudio.
- OK! – disse o advogado – Então te trouxeram pra cá!
- Acho que sim! – ele ainda estava mexido.
- Sem problemas. – Claudio disse se levantando – Sr. Henrico, será um prazer defende-lo. – falou já se dirigindo a porta.
- Mas como! O que eu faço agora?!
- Agora?! Nada. Deixa comigo!
- O que o senhor vai fazer?!
- O meu trabalho! – piscou e fechou a porta.
- E ai?! – perguntou Borges.
- Você estava certo. É o meu tipo de caso.


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