sábado, 24 de março de 2018

...E QUANDO TUDO SE MOSTRAR RUIM... (+18)


(cont.: …MAS O CRIME NÃO TEM HORA…)

Claudio estava sentado no restaurante do hotel Formula 1, em um local um pouco mais afastado das paredes de vidro.  Olhava para todos os lados, tentando localizar os seus seguidores.
- Bom dia, senhor! – o advogado se assustou com o cumprimentou o garçom.
- Ah, é.... bom dia!
- Desculpa, mas o senhor vai querer algo? – perguntou o garçom.
- É... sim!
Claudio olhou o cardápio rapidamente e fez o seu pedido.
Após a saída do garçom, o advogado pega o celular.
- Borges!
- Bom dia, doutor! – respondeu o policial. – Tudo bem?
- Não!
- O que houve?
- Tem dois caras me seguindo desde lá de casa.
- Como é?!
Claudio narrou os acontecimentos.
- Você quer uma viatura aí? – perguntou Borges.
- Acho que podemos usar, na verdade.
- Como assim?!
- Manda a viatura para o fórum, mas sem se expor. Eu vou pegar um táxi aqui e vou para o plantão. Vamos tentar pegar esse pessoal.
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Machado abriu os olhos devagar. Estava perdido. Cabeça pesada. Dor alucinante. Ele retomava a consciência vagarosamente. Abria os olhos, tudo embaçado. Começou a sentir os braços presos. Percebeu que estava sentado. Seus braços algemados, virados para as costas.
- Bom dia! – ouviu uma voz feminina. – Tá doendo! Você não sabe o quanto vai doer!
- Quem... quem... é você? – perguntou finalmente.
- Ah! Vai se fazer de desentendido?! Tito! – mais alguém se movimenta no ambiente – Acho que esse cara tá precisando de um sacode!
Um vulto gigante se aproximou de Machado e lhe deu um tapa na cara.
Machado arregalou os olhos, tentando acordar. A visão já estava melhorando. Então olhou bem para o vulto chamado Tito.
Era gigante!
- Acordou agora?! – perguntou a mulher.
Machado cuspiu no chão, não tinha sangue.
- Quem é você? – perguntou ele, mas agora com mais segurança.
- Você vai na casa do meu namorado, mata ele e ainda pergunta quem sou eu?! – ela não acreditava.
- Eu não matei ninguém! - antes que Tito pudesse fazer alguma coisa. – Ele já estava morto quando cheguei.
- E você acha que vou acreditar?!
- Olha! Meu nome é Machado, sou policial...
- Já sabemos disso, Machado! – ela jogou a carteira dele no chão. – Quem você acha que matou o Vinícius?!
- Você me derrubou antes que eu pudesse descobrir!
Ela riu.
Apesar da dor alucinante na cabeça, Machado já tinha voltado a si e já estava tentando virar o jogo. Enquanto debatia com a sua agressora, verificava como as algemas foram posicionadas.
Ele não estava preso à cadeira.
Ótimo – pensou – Vamos para a próxima jogada.
- Presta atenção, oh garota! – ele falou duro. Ele se assustou – Me solta agora!
- Ou o quê?!
- Duas opções: prendo vocês ou mato os dois.
- Você não conseguiu antes, não será agora. – ela sinalizou para o Tito.
O grandalhão se aproximou.
Ao mesmo tempo, Machado deslocou o polegar esquerdo e retirou a algema da mão esquerda.
- Agora você vai aprender....
Antes que a agressora terminasse a frase, Tito já estava no chão, após levar um cruzado de direita no queixo.
Rapidamente, Machado pegou a arma da cintura de Tito e apontou para a mulher.
- Você esta presa!
- E quanto a segunda opção?
- Ainda não foi descartada!
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Uma equipe estava preparada para se deslocar até o local informado por Machado.
- Borges, você vai também?! – perguntou Izidoro.
- Não! Vou ficar de plantão aqui.
- Ah! Entendi! – Izidoro se mostrou um pouco preocupado.
- Tudo bem? – Borges percebeu algo estranho com o colega.
- Claro! – falou surpreso.
Borges ficou observando o colega.
Tem alguma coisa aí. – pensou.
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            Claudio estava esperando o resultado do Habeas Corpus, dentro da sala do plantão!
- Dr. Claudio Aguiar?! – chamou a funcionária.
- Eu! – ele pegou a decisão – Procedente. Ótimo! O mandado vai sair agora?!
- Estamos fazendo e o oficial vai lá na delegacia daqui a pouco.
- Ótimo!
Claudio guardou o documento e caminhou até a porta de saída.
Antes de ir para a rua, respirou fundo.
Vamos a segunda parte. – pensou.
O plantão do tribunal ficava no estacionamento do Fórum, com saída para a Rua Dom Manuel.
Ninguém, em sã consciência tentaria alguma coisa lá, pois o prédio é cercado de policiais.
Contudo, os homens do Dono não eram pessoas sãs.
Claudio caminhou em direção a Avenida Erasmo Braga. Percebeu duas figuras paradas na Rua Jacó do Bandolim. Um era alto, branco, quase transparente, muito magro e tinha o rosto de viciado. O outro era mais baixo, cara de moleque, moreno e usava um casaco com capuz, que encobria o seu rosto. Havia também uma mancha vermelha na manga do casaco.
É agora. – pensou Claudio.
Ele não poderia correr, pois o chão ainda estava bem molhado. Também não sabia se a dupla estava armada.
Assim que Claudio virou para a Av. Erasmo Braga, as figuras se movimentaram.
O advogado andou calmamente. A rua não era movimentada aos sábados.
Uma viatura da PM estava parada em frente a Banca do Fórum, na esquina com a Av. Presidente Antonio Carlos.
Claudio passou direto. Não queria que os seus perseguidores escapassem.
Travessou a Av. Presidente Antonio Carlos e entrou no Edifício Garagem Menezes Cortez, na plataforma onde ficavam os ônibus para Campo Grande.
Claudio conhecia bem o local. O advogado morava no bairro de Campo Grande, antes do falecimento do seu pai.
O chão da plataforma estava seco, então Claudio correu. Estava encoberto pelos ônibus, então acelerou e desceu as escadas para o subsolo do edifício, onde ficavam as lojas.
De lá, ligou para o Duarte, policial designado por Borges para a tocaia.
Os perseguidores de Claudio entraram no edifício garagem e não encontraram o advogado.
- Droga! – esbravejou um deles.
- Merda, o Dono vai acabar com a gente! – falou o mais alto.
- Vai nada. Vou acabar com esse advogado filho da puta.
- PERDEU! PERDEU! PERDEU! – gritou Duarte, apontando a pistola, com mais 5 policiais envolta.
O bandido de capuz tentou puxar algo da cintura, mas foi alvejado por Duarte. O mais alto se rendeu ao ver o seu colega caído, sangrando no chão.
Duarte verificou que o bandido não estava morto, então chamou a emergência. Queria o bandido vivo, por enquanto.
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- Izidoro! – gritou Borges.
- Oi! – disse o policial, um pouco assustado.
- Fica de olho nas coisas aí? O Machado não tá respondendo, tenho que ver o que esse puto tá fazendo.
- Claro! Pode ir. – falou todo atencioso.
- Beleza.
Borges foi até o estacionamento, entrou no seu carro, deu uma volta no quarteirão e estacionou na rua, voltando a pé para a delegacia.
Assim que percebeu que Borges tinha saído, Izidoro pegou o celular.
- Tá limpo!
Em menos de um minuto, duas figuras entraram na delegacia vazia.
- Ele tá numa cela isolada. Tá sozinho.
- OK. – disse um dos homens. – Marimbondo, apaga o piloto.
O rapaz de alcunha Marimbondo foi até as celas, deixando Izidoro e o comparsa no rol da delegacia.
- Tem que ser rápido, não quero ninguém voltando. – disse Izidoro.
- Relaxa, toma aqui o seu pagamento. – o rapaz entregou um pacote para Izidoro. Drogas e dinheiro.
- Valeu.
Marimbondo voltou correndo.
- O cara não tá lá!
- O quê?! – esbravejou Izidoro.
O rapaz puxou a arma e apontou para a cara do policial.
- Você tá de sacanagem comigo!
- Qualé Suruba! Tu sabe que eu sou fechamento com o Dono!
De repende o Suruba e alvejado por uma bala, bem na têmpora direita e depois outra bala atinge Marimbondo, antes que ele pudesse fazer alguma coisa.
- Que pena saber disso, Izidoro! – gritou Borges.
Izidoro olhou para a porta da delegacia e viu Borges apontando a arma para ele.
- Você está preso!
- Desculpa Borges!
Izidoro abaixou, pegou a pistola e atirou em direção a Borges. Este já tinha se jogado para o lado direito, ficando atrás do balcão de atendimento.
- Para com isso Izidoro! – gritou Borges.
- Eu prefiro morrer a ser preso.
- Bom saber disso! – disse alguém e depois ouvisse um barulho de tiro.
Izidoro caiu no chão. A arma escorregou para longe.
- Pode vir Borges!
Borges reconheceu a voz. Levantou e viu Machado na porta que levava para o estacionamento. Ele apontava a arma para o chão, onde estava Izidoro. Ao seu lado, estava uma mulher, algemada.
- Onde você estava! – esbravejou Borges.
- Ocupado! – sacolejou a mulher para que Borges pudesse ver o motivo do atraso.
Os dois se aproximaram de Izidoro. Machado virou o colega com o pé direito. Izidoro estava vivo. O tiro foi no ombro.
- Agora, todo mundo vai falar! – Machado pisou no machucado de Izidoro, que gemeu de dor – E é bom eu gostar da história.


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