quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

CRÔNICA: NOITE DE AUTÓGRAFOS


Rio de Janeiro/São Gonçalo, 19 de agosto de 2015.

De acordo com a Wikipédia, um fã é uma pessoa dedicada a expressar sua admiração por uma pessoa, grupo, ideia, esporte ou mesmo um objeto inanimado.

Nós temos vários tipos de fãs, mas vou me ater a dois deles: o fanático e o comum.

Pelo próprio nome, o fã fanático é aquele que consome tudo do seu ídolo. Ele respira o ídolo, vive para o ídolo, chora, faz escândalo, briga quando alguém fala mal, xinga quando alguém diz que não gosta do seu ídolo e por ai vai.

O fã comum é aquele que acompanha o seu ídolo, mas tem vida própria.

Todo mundo é fã, seja do que for, uma pessoa, um grupo ou mesmo de um objeto (game, produto etc.), e eu não sou diferente. Desde livros, autores, pessoas comuns ou em notoriedade etc., eu tenho tipo um Top 10.

Agora, há pessoas que são hors concours, tipo mãe e... e... e... mãe. Também há pessoas que você “paga pau”, ou seja, esses estão realmente no seu Top 10.

Posto isto, digo e repito, eu “pago pau” para o Dr. Alexandre Câmara. Não é pelo cargo que ele assume, pois pra mim não tem relevância, mas pela sua obra. Foi através dos seus livros Lições de Direito Processual Civil que eu aprendi Processo Civil. Tem quem não goste? Sim, mas eu gosto dos livros e tô nem ai (viu, fã comum!).

No ano de 2015 restou aprovado, promulgado e publicado o Novo Código de Processo Civil, então já viu, nos meses seguintes seria uma chuva de doutrinas, artigos, estudos, códigos comentados, anotados, rabiscados, sublinhados… mas eu esperaria o novo livro do Dr. Alexandre Câmara, sem dúvidas.

E ele ia lançar. No dia 19/08/2015 haveria uma noite de autógrafos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde o autor lançaria o livro O Novo Processo Civil Brasileiro. A edição seria um manual de direito processual civil, inteiramente elaborado a partir do Código de Processo Civil de 2015. O título era uma homenagem a outro brilhante processualista civil, que também “pago pau” (apesar de discordar tanto), Dr. José Carlos Barbosa Moreira (que veio a falecer em Agosto de 2017).

Desta forma, não poderia deixar de comparecer, até porque já seguia o autor no twitter, onde o mesmo além de dar joinha nos meus comentários (chupa sociedade), também os respondia (chupa sociedade 2).

Combinei com um amigo que também trabalhava no Centro.

No entanto, vocês sabem como é vida de advogado: UMA MERDA! Principalmente quando você é advogado que trabalha para os outros. Patrão é tudo igual, filho da puta. Ah! Meu patrão é legal! Legal é um cachorro brincando com bola. Patrão é falso e depois você vai descobrir que é filho da puta.

Como todo bom filho da puta, o patrão sente no ar que o funcionário tem compromisso, então o intuito dele é te foder. E como ele faz isso? Escalando-me para fazer audiência lá onde Judas perdeu as botas.

Não foi onde Judas perdeu as botas, era em São Gonçalo, mas era distante do Centro do Rio.

Além disso, era uma audiência trabalhista às 13h30min. Quem já fez audiência trabalhista sabe que a Vara do Trabalho não é britânica. Se o patrão é filho da puta, a Vara do Trabalho é a mãe do patrão, ou seja, a própria puta.

Bom, 13h30min! O lançamento era às 19 horas, então dava tempo, né?! ACHOU ERRADO, OTÁRIO!!!

A minha audiência só foi começar depois das 16 horas, isso porque antes tinha duas audiências com diversas testemunhas, inclusive atrasadas. Foi um pandemônio! E para piorar, eu não tinha almoçado, pois o representante da minha empresa já estava lá e eu não queria deixa-lo esperando (vai que reclama!).

E mais, a juíza gostava de conversar e o advogado do “recramante” (sim, o colega falava “recramante”), ainda puxava o saco, querendo demonstrar que tinha vasto conhecimento e era estudante de universidade pública do Estado.

Olha, sou de escola pública, fiz faculdade privada, mas com bolsa, não tenho linguajar rebuscado, mas não falo “recramante”, muito menos enquanto arroto caviar.

Agora imagina: roxo de fome, ar condicionado no talo, audiência que não desenvolve, o tempo passado e eu perdendo o lançamento do livro.

Saí da sala de audiência às 17h30min. Já tinha perdido as esperanças. O que me restava? Comer. ERRADO, OTÁRIO! Não tinha nada perto do fórum!!!! Era juntar os panos de bunda, ir com fome para o Centro do Rio e comer lá (um belo milk-shake de Ovomaltine do Bob’s – McDonald, você não sabe fazer!).

Vocês acham que eu fiquei sem o livro e o autógrafo? ACHARAM ERRADO, OTÁRIOS!!! Quem tem amigo não morre pagão!





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